Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 05/10/2020

O filme norte-americano “O Estagiário” narra a trajetória de Ben, um senhor septuagenário que, após ser contratado por uma empresa digital, é incluído no âmbito tecnológico com o auxílio de seus colegas de trabalho. Fora da ficção, a inclusão digital da terceira idade ainda é um desafio, uma vez que idosos apresentam expressiva dificuldade para utilizar tecnologias de comunicação, como computadores, o que prejudica o exercício da cidadania. Nesse sentido, há de se analisar a importância da alfabetização tecnológica de idosos na sociedade moderna e a negligência governamental no que tange a essa modalidade de ensino.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a inclusão digital da população senil é de suma importância para a preservação da cidadania, uma vez que os avanços tecnológicos presentes na modernidade impõem mudanças no cotidiano das populações. Sob essa ótica, o filósofo Pierre Lévy afirma que, hodiernamente, torna-se praticamente impossível escapar do uso da internet. Esse fenômeno, conhecido como “Novo Dilúvio”, evidencia a necessidade de incluir a terceira idade na esfera virtual, haja vista as novas formas de comunicação, transporte e alimentação – relacionadas ao surgimento de aplicativos como Whatsapp, Uber e iFood, que facilitam a execução de tarefas rotineiras e proporcionam bem-estar aos indivíduos incluídos nesse âmbito tecnológico.

Entretanto, a inércia governamental, no que tange à alfabetização tecnológica dos indivíduos, impede que a população idosa seja incluída no mundo moderno e goze de seus direitos civis. A esse respeito, o Estatuto do Idoso, em seu artigo 21, assegura a disponibilização de cursos especiais para a terceira idade, com conteúdos relativos a avanços tecnológicos, como dever do Estado. No entanto, é notória a negligência dos governantes a respeito dos direitos da população senil, uma vez que os idosos carecem de auxílio profissional para aprender sobre o mundo virtual. Por conseguinte, a exclusão social é intensificada, o que prejudica a saúde mental e a autoestima da terceira idade.

Diante do exposto, é evidente a necessidade de prover a inclusão digital de idosos a fim de preservar a cidadania desses indivíduos. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) prover a alfabetização tecnológica da terceira idade, a fim de facilitar o cotidiano da população senil e garantir seus direitos civis. Isso será feito por meio de cursos presenciais, que contem com a presença de técnicos de informática e universitários, os quais devem ensinar acerca da tecnologia do nível básico ao avançado, estimulando as relações sociais entre os alunos. Com efeito, o bem-estar social será atingido, assim como a inclusão digital vivenciada pelo protagonista Ben.