Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 15/10/2020
Observa-se na sociedade brasileira uma problemática continuada fundamentada na ineficácia da inclusão digital a população idosa, o que se configura como incoerente a realidade mundial, haja vista a importância dos aparatos tecnológicos na dinâmica social e econômica hodierna. Desse modo, tanto fatores como a habitude institucionalizada de desvalorização velada dos longevos frente a sociedade, quanto aos entraves de acessibilidade técnica associado ao avanço exponencial dos dispositivos informacionais compõem os desafios que devem ser superados para, portanto, garantir a adesão irrestrita aos meios técnicos-informacionais.
Em primeiro plano, em uma das histórias da coletânea ¨Onde Estiveste de Noite¨ a escritora Clarice Lispector tece uma narrativa baseada em uma personagem descrente da sua própria condição de ¨ mulher mais velha¨ ao qual se aliena na condição de ex-alguém que um dia já fora. Nesse certame, a análise de consciência clariceana se mostra latente na contemporaneidade a julgar pela cristalização paulatina e tácita da ideologia capitalista nas relações inter-pessoais, em que há a valorização do ente que exerce atividade econômica de forma ativa, logo, olvidando uma parcela da população que não tem acesso a esses recursos ou pelo fator financeiro, ou pela limitação de referências. Em face disso, constata-se um problema que possui raízes na constituição socioeconômica e que reverbera em desigualdade de acessibilidade ao meio digital.
Sobre outro prisma, o avanço tecnológico brusco nos últimos anos caracterizou um momento de novas dinâmicas de interação social as quais não estavam disponíveis a pouco tempo atrás, configurando a sociedade atual como um mosaico de repertórios e saberes. Nesse quesito, e indubitável que as gerações mais recentes, por estarem amplamente inseridas no contexto de informatização, são fortemente influenciadas por esse mecanismo ao ponto desse compor um elemento particular da vida ¨tecnificada¨. Análogo a isso, o sociólogo Manuel Castells elabora sua teoria baseada no panorama dessas novas alterações na coletividade e como isso cria fronteiras e uma relação de poder.
Ante ao exposto, verifica-se os impasses referentes a questão de inclusão digital da terceira idade no Brasil - reafirmando a necessidade de ações governamentais produtivas para elucidar tal problema. Destarte compete ao Ministério da Cidadania o direito a equidade de tratamento - consoante previsto no artigo 6 da Constituição Federal - e apresentar campanhas publicitárias de valorização e inserção desse à internet e às tecnologias disponíveis, por meio de ações comerciais nas redes sociais de maior abrangência entre o publico jovem, com o fito de incentivar a integração de todas faixas etárias nos adventos digitais. Ademais, cabe ao Ministério da Ciência o provimento de cursos presenciais para a população idosa, com o fito de informatizar e criar meios de desenvolvimento paticular.