Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 06/10/2020
Fundada em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) ratifica que todos os indivíduos tem o direito ao acesso a internet e a ferramentas digitais. Em contrapartida, percebe-se, infelizmente, um distanciamento no que tange a inclusão digital para cidadãos da terceira idade, visto que, traz prejuízo para essa parcela da população. Nessa perspectiva, é relevante debater dois tópicos: a ausência de visibilidade e a negligência estatal. Logo, é necessário analisar reduzir os impasses desse desafio.
Em primeira análise, vale ressaltar, como o público idoso é pouco valorizado na sociedade contemporânea. De forma semelhante, na obra literária Capitães da Areia - escrita pelo autor Jorge Amado - o personagem “Sem Pernas” é constantemente ignorado pelo seu grupo de amigos por ser um deficiente físico. Em paralelo a isso, tal impasse, ocorre pelo raciocínio frágil por parte da sociedade de achar que o idoso é menos capacitado de interagir em plataformas digitais em comparação com o público jovem, o que leva uma ruptura dos laços familiares e sociais. Sendo assim, providências devem ser buscadas.
Em segunda análise, é mister, salientar, a discussão no que se refere a negligência estatal. A esse respeito, o sociólogo e escritor polonês Zygmunt Bauman elabora o conceito de “Instituição Zumbi”, no qual, um órgão público é responsável por exercer determinada função, porém não a cumpre. Esse nefasto panorama evidencia que a falta de políticas públicas que esclareçam idosos a manusearem ferramentas digitais e a insuficiência de leis contribuem para a permanência desse entrave. Portanto, soluções devem ser buscadas imediatamente.
Em síntese, urge que os desafios para a inclusão digital da terceira idade devem ser tratados com mais eficácia. Para isso, o Governo Federal (GF), em conjunto com o Ministério da Cidadania (MC), deve elaborar um ciclo de palestras de orientações sobre como os idosos podem fazer uso dos aparelhos eletrônicos - com a participação de cientistas da computação e tecnólogos renomados - via investimentos fiscais, com o objetivo de democratizar o acesso de tais ferramentas para essa parcela da população. Dessa forma, esses obstáculos serão reduzidos gradativamente.