Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 13/10/2020

“Criar meu website, fazer minha homepage”, esse trecho de música do cantor brasileiro Gilberto Gil evidencia que a tecnologia é um personagem importante nas relações sociais atuais. Nesse sentido, a dependência de tais redes vêm tornando-se catalisadora dos abismos geracionais e um verdadeiro empecilho na integração da terceira idade no atual contexto do mundo globalizado.

Primordialmente, o processo de globalização apresenta paradoxos no que diz respeito à integração. Sob esse prima o fenômeno que tem como uma de suas finalidades a otimização das relações dispõe de incoerências e complicações quando refere-se, principalmente, a “melhor idade”. Um exemplo a citar é o filme “Eu, Daniel Blake”, o qual o personagem principal ao procurar uma agência bancária em busca de seus direitos econômicos acaba tendo que lidar com a burocracia tecnológica, fator que o impede de ter acesso aso seus bens. Ao conversar, assim, com a realidade, uma vez que as práticas que garantem a cidadania, em sua grande maioria, necessitam do saber tecnológico  e aqueles que não possuem os conhecimentos necessários acabam sendo negligenciados por falta de orientação e oferta de acessibilidade das instituições, ao gerar, dessa forma, a perda parcial de cidadania destes.

Somado a isso, o imediatismo da sociedade atual reverbera e dificulta o aprendizado dos idosos. Tendo como referência o principio aristotélico, o qual afirma que deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os iguais na medida da de sua desigualdade. A luz dessa ideia, a nova geração, que já nasceu inserida na era tecnológica e mantêm uma relação intima com esse meio de comunicação, acaba por banalizar, dessa forma, as dificuldades e o tempo de aprendizagem das pessoas mais velhas, optando, por vezes realizar as tarefas ao invés de ensinar aos mais velhos como fazê-las. Fato que incita o sentimento de inutilidade nos idosos e os impede de aprender e integrar-se na era digital. Ao corroborar, assim, na formação de dois mundos etários imiscíveis  e na fomentação das desigualdades sociotecnológicas.

Depreende-se, portanto, que os obstáculos para o acesso às novas tecnologias dificulta a vida dos idosos. Diante desse quadro, é licito postular que há a necessidade de criação de leis, pelo Poder Legislativo, que obrigue as instituições públicas e privadas a tornar as práticas tecnológicas mais acessíveis através da contratação de pessoas que estejam aptas para lidar com os anciões. Ainda, é necessário que a mídia promova propagandas e campanhas que incentivem os familiares a auxiliar nessa jornada da inclusão dos idosos ao cenário tecnológico atual, para que assim a segregação etária tecnológica seja suprimida, mesmo que de forma gradativa. E haja, desse modo, o rompimento de barreiras que impedem a homogeneização dos saberes digitais.