Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 08/10/2020

A produção cinematográfica “O Estagiário” narra a história de Bem, um septuagenário aposentado que, após ser contratado como estagiário por uma empresa online de moda, tem que enfrentar inúmeras adversidades para conseguir se adaptar às inovações tecnológicas existentes naquele ambiente. De maneira análoga ao retratado na obra ficcional, na contemporaneidade, a inexistência de uma alfabetização digital é uma realidade substancialmente presente entre a população idosa brasileira – seja pelo descaso da União, seja pela negligência social com o ser longevo. Nesse sentido, convém a realização de uma análise crítica acerca dos empecilhos à inclusão digital do idoso no Brasil.

A princípio, verifica-se que a inércia estatal frente a situação se configura como uma das principais causas do revés. A esse respeito, consoante o artigo 21 do Estatuto do Idoso (EI) é dever do Estado garantir que toda a fração nacional idosa possua o seu acesso às medidas de educação tecnológica e de incorporação digital efetivado de maneira gratuita e universal, sendo, então, integrados na vida moderna. No entanto, ao analisar a conjuntura nacional corrente, é perceptível que a existência desse ideal é aplicada apenas no campo teórico e não, desejavelmente, na prática, haja vista que, embora o EI seja uma das legislações de proteção à inclusão digital do idoso mais avançadas no mundo, os baixos investimentos estatais na promoção de uma efetiva integração da população longeva com a tecnologia fazem com que apenas 34% da terceira idade tupiniquim possua algum tipo de contato com a internet ou alguma outra plataforma digital, conforme reportagem noticiada pelo portal Abras Brasil.

De outra parte, a existência de um olhar social de indiferença para com os cidadãos anciões contribui para a existência da problemática. Sob essa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt – em seu livro “A velhice” – denuncia que, a atual existência de uma cruel imagem dos idosos como seres irrelevantes e inaptos a realizar as inúmeras atividades da vida comum, resultou na invisibilidade desse grupo perante o resto da sociedade. Nesse sentido, por não serem vistos como membros ativos do corpo social, os idosos são, frequentemente, excluídos de todas as inovações que venham a surgir no mundo moderno, dentre elas, os avanços tecnológicos e digitais. Assim, como resultante para essa postura indiferente, tem-se que a inclusão digital não é a realidade da população longeva do país.

É evidente, portanto, a urgência na mitigação da problemática Destarte, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Educação, ofertar cursos de informática básica para idosos, aplicando uma metodologia que facilite a inserção e compressão desse grupo no mundo digital. Para otimizar os custos e agilizar a realização do processo, deve-se firmar parcerias com instituições de ensino que já possuem profissionais da área e estrutura física adequada, como laboratórios de informática e redes.