Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 09/10/2020
O ser humano, assim como outros animais, com o avançar da idade passa a diminuir a quantidade de água intracelular, e é por conta desse fenômeno que, ao observar as mãos de uma pessoa idosa vê-se o membro bem enrugado, essa diminuição hídrica afeta também o processo de aprendizagem, pois as comunicações nervosas no cérebro acabam tendo dificuldade em assimilar novos assuntos em condições de “desidratação celular”. Com isso, é possível entender um dos fatores que explicam o desafio que é a inclusão digital de pessoas da terceira idade. Somasse a isso fatores sociais e culturais que retardam esse processo.
Primeiramente, é preciso destacar o ambiente em que os idosos vivem atualmente. No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, destaca-se que o meio em que o indivíduo vive é capaz de moldar seu caráter e suas atitudes. Diante disso, extrai-se que, ao viver em uma sociedade altamente incluída digitalmente, as pessoas que não se enquadrem nesse perfil acabam sendo deslocadas socialmente, visto que não integram a maneira de viver da comunidade ao seu redor, há uma exclusão social desse indivíduo, e é por isso que são necessários alternativas para incluir no mundo digital as pessoas da terceira idade, já que isso as integraria melhor socialmente.
Outrossim, o sociólogo francês Bruno Latour cunhou o termo “Patrimônio Cultural”, que indica o quão rica culturalmente é a sociedade a partir da facilidade de acesso à cultura em certo território. Isto posto, com a falta de inclusão digital dos idosos no Brasil existe uma mazela cultural enorme, visto que, uma parcela grande da população é excluída da cultura presente na internet, não tendo acesso, por exemplo, as obras presentes em redes de streaming como a Netflix e Amazon Prime Video. A partir dos argumentos supracitados extrai-se a emergência de acentuar o acesso digital às pessoas com idade avançada.
Depreende-se, portanto, ser mister a tomada de iniciativas para a inclusão digital da terceira idade. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, aliado às Secretarias Estaduais de Ensino, poderia promover a distribuição de cartilhas, que viriam anexadas às correspondências, orientando a população mais idosa em como lidar com as novas tecnologias e, também, dando dicas de como ensinar alguém da terceira idade a se instruir digitalmente. Ademais, as empresas de tecnologia poderiam desenvolver aplicativos que fizessem com que o teclado, e outras imagens que aparecem na tela, fiquem maiores, visando facilitar a visualização de certos conteúdos, já que boa parte da população mais idosa possui algum tipo de problema de visão. Tais medidas, facilitariam o acesso tecnológico da terceira idade no Brasil.