Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 16/10/2020
Nunca é tarde para aprender
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios da inserção dos idosos no universo digital, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada a realidade do país. Isso ocorre, ora pela negligência governamental, ora pelo despreparo civil sobre esse contexto. Dessa maneira, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Antes de tudo, é preciso entender que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Consoante Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. Todavia, observa-se que essa assertiva não é colocada em prática, haja vista que algumas cidades não possuem recursos para a criação de espaços capazes de ensinar a terceira idade a usar as novas tecnologias e a entrar nas redes sociais, o que, infelizmente, faz com que está parcela da população não participe da inclusão digital.
Ademais, é imperativo ressaltar o despreparo civil como promotor do impasse. De acordo com o educador e filósofo Paulo Freire, em sua “Terceira Carta Pedagógica”, o conhecimento educacional sozinho não transforma a sociedade, sem ele, tampouco a sociedade muda. Sob o mesmo ponto de vista do educador, nota-se que, no Brasil, devido à carência na formação de ideias críticas, ações sociais expressivas e uma boa base educacional analítica sobre como explorar a internet e seus avanços, o país não obtém grandes transformações. Isso justifica toda mazela, incompreensão e despreparo social que permeia a atualidade.
Depreende-se, portanto, novas medidas para resolver os desafios de inclusão digital da terceira idade. Destarte, o Estado, aliado às prefeituras municipais, por meio de verbas governamentais, deve promover, não apenas a criação de cursos com professores capacitados a instruir os alunos a respeito do mundo digital, como também palestras em centros culturais das cidades, destinados ao público, com materiais de apoio gratuito, participação remunerada de profissionais da área tecnológica e representantes do governo legislativo, em virtude de uma melhor assistência estatal, a fim de englobar todos à etiologia e minimizar toda e qualquer inadimplência. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.