Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 13/10/2020
Historicamente, nota-se que os indivíduos longevos de uma sociedade sempre foram vistos com grande prestígio social, dado o respaldo de portadores do conhecimento. Entretanto, na hodierna conjuntura do Brasil tal máxima desvirtua-se, isso tudo, decorrente da ausência de mecanismos para sua inserção nos meios digitais. Nesse contexto, a exiguidade assistencial do Estado, atrelada à ascensão do capitalismo tem inviabilizado a finidade desse empecilho. Logo, é visível que esse cenário infringe as diretrizes presente no Estatuto do Idoso e, com isso, ocasiona uma maior segregação sócio informacional.
É pertinente abordar, a priori, que a obra cinematográfica “Um senhor estagiário”, retrata a inclusão do personagem Bem Whittaker, de 70 anos, no âmbito trabalhista e, consequentemente, no meio digital. Fora da ficção, é fato que essa realidade torna-se bastante inconsistente, haja vista que a omissão estatal em fornecer projetos efetivos impossibilita qualquer tentativa de integração da terceira idade com o ambiente digital. Ademais, demonstra-se que essa depreciação sobre as pessoas ançiãs advém, principalmente, da concepção capitalista que prega a de inutilidade dos mesmos como força de trabalho, já que que o mercado de serviços está cada vez mais informatizado. Destarte, ratifica-se uma inconstitucionalidade, posto que ocorre uma transgressão dos direitos previstos na Carta Magna de 1988, uma vez que corrobora a autonomia desses indivíduos.
Por conseguinte, é notório que essa problemática tende a degradar as relações interpessoais entre a terceira idade e a parcela mais jovem da população. Dado que esse distanciamento do meios digitais inviabiliza na grande maioria das vezes a consolidação de um contato mais eficaz e consistente entre os cidadãos. Dessa forma, consoante ao filósofo Pierre Lévy, é evidente que esse avanço na tecnologia sempre gera um contingente de pessoas excluídas e, com isso, reverbera-se a banalização da subtração dos direitos previstos no Estatuto do Idoso. Dessarte, intensifica-se uma marginalização social e informacional, na qual o Governo é o principal responsável.
Depreende-se, portanto, que a dificuldade de introduzir a terceira idade no ambiente digital decorre da falta de soluções plausíveis por parte do Governo e da sociedade. Nesse sentido, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio de maiores investimentos financeiros, deve implementar locais que prestem serviços de educação tecnológica, com intuito de facilitar o contato entre essas pessoas e a informática. Do mesmo modo, a Mídia, diante o seu poder de proliferação, procure incentivar a participação da população em projetos de ONGs, a fim de obter resultados maiores e, com isso, tornar o espectro social brasileiro mais igualitário.