Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 11/10/2020
O filme “Um Senhor Estagiário” conta a história de um homem mais velho que começa a trabalhar em uma empresa de vendas online. Na trama, o personagem tem, a priori, dificuldade em lidar com alguns recursos tecnológicos, mas, com o auxílio de seus amigos mais jovens, ele consegue superar esse problema. Não distante da ficção, a terceira idade, geralmente, não está incluída nos meios digitais, porém, diferente do ocorrido no filme, nem sempre os mais novos têm a paciência de os ensinar. Sendo assim, os desafios para a inclusão digital dos idosos são o de integrá-los em um mundo onde a tecnologia muda rapidamente e o de superar o preconceito contra esse grupo.
A princípio, é importante salientar que, de acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, vive-se a Terceira Revolução Industrial atualmente, já que os meios de telecomunicações avançaram de modo exponencial. Nesse cenário, anualmente, surgem novas tecnologias, o que exige um contínuo aprendizado dos que lidam com os meios digitais. Sob tal perspectiva, esse panorama de mudanças constantes dificulta a plena inserção da terceira idade nessa evolução tecnológica, pois, mesmo que o indivíduo mais velho aprenda sobre as tecnologias mais recentes, logo elas estarão desatualizadas. Em suma, faz-se necessário que a inclusão digital da terceira idade seja um trabalho permanente, que pode ser tanto realizado por amigos, como no filme, quanto por instituições especializadas.
Ademais, outro fator que dificulta a inserção da terceira idade nos meios digitais é o preconceito contra esse grupo, isto é, o pensamento errôneo de que esses indivíduos não são capazes de compreender as novas tecnologias. Isso porque, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, os laços afetivos são mercantilizados na sociedade atual, ou seja, as relações humanas passaram a obedecer a lógica do capitalismo. Com isso, assim como um produto desatualizado é descartado, os mais velhos passaram a ser vistos pela sociedade como um fardo, o que faz com que essas pessoas se sintam cada vez mais excluídas do mundo digital. Logo, esse preconceito é, no mínimo, revoltante, visto que vai contra às diretrizes de respeito e inclusão impostas pelo Estatuto do Idoso.
Portanto, haja vista os principais desafios destacados para a inserção da terceira idade nos meios digitais, urge que o Governo Federal destine verbas para incluir essas pessoas na Terceira Revolução Industrial. Esses investimentos podem ocorrer por meio da criação de cursos gratuitos, em instituições a título de SESC e Senai, que ensinem os idosos constantemente sobre os mais recentes meios digitais, além da promoção de palestras e debates que objetivem a desconstrução do preconceito errôneo, destacado por Bauman, de que essas pessoas são incapazes de aprender sobre as novas tecnologias. Desse modo, os idosos serão incluídos no mundo digital, assim como ocorreu no filme.