Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 12/10/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos desafios para a inclusão digital da terceira idade. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude do individualismo, da falta de conhecimento e discussão sobre o assunto.

Em primeiro plano, evidencia-se que o individualismo é um grande responsável pela complexidade do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange aos desafios que a terceira idade enfrenta no que se refere à inclusão digital. Essa liquidez que influi sobre a questão do individualismo da sociedade e como esta trata os idosos, funcionando como um forte empecilho para sua resolução.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de conhecimento dos jovens acerca das limitações tecnológicas que os idosos enfrentam. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre os desafios que a terceira idade enfrenta para a inclusão digital, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolva “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de inclusão digital dos idosos. A partir dessas ações, espera-se promover a construção de um Brasil melhor.