Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 15/10/2020
“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer”, essa estrofe da música do cantor e compositor Arnaldo Antunes, apresenta o avanço tecnológico da sociedade como fator do aumento da expectativa de vida. Esse progresso da modernidade levou a população a viver por mais tempo, porém não a incluiu os mais velhos nas atividades digitais que também surgiram. Essa situação encontra como cerne o capitalismo que visa sempre a produção e o lucro deixando invisível a terceira idade na inserção digital. Nesse viés, a falta de inclusão acontece pela impaciência da família com o ensino daquele parente, juntamente com a negligência do Estado na atuação com a população da terceira idade.
Desse modo, a falta de paciência da família com a aprendizagem dos idosos somado a relevância de produção e lucro do capitalismo gera o desafio para a inclusão digital desse grupo. Isso ocorre porque no sistema veloz, que visa sempre a produção intelectual ou material, o ensino para quem já não é tão ágil e tem os sentidos mais debilitados leva muito mais tempo, paciência e constância que de costume para inserí-lo no meio digital. Além disso, a negligência do Estado, aliada à visão de lucratividade do sistema capitalista, contribuem para a dificuldade de inserção dos mais velhos às tecnologias digitais.
Essa situação acontece porque o lucro e a produção não são os principais objetivos nessa etapa da vida, então o Estado não dá amparo para o conhecimento e adaptação dos idosos ao digital. Esse pensamento é exemplificável ao visualizar como a maioria das pessoas que sofrem golpes por telefone ou acreditam em “fake news” são as mais idosas, ao demonstrar claramente que não conseguem utilizar e classificar corretamente a ferramenta tecnológica, são analfabetos digitais por não terem um Estado que forneça um ensino sobre a utilização.
Dessa forma, é importante reconhecer que a inclusão digital da terceira idade que vem da prática capitalista de apenas obter lucro deve ser combatida. Para isso, o Governo Federal deve criar um Programa Nacional de Incentivo à Inclusão Digital da Terceira Idade por meio de um decreto com a finalidade de levar professores e graduandos de informática para dar palestras e aulas para os idosos aprenderem como utilizar as ferramentas digitais e para seus familiares aprenderem sobre diferentes didáticas para seu ensino e acompanhamento. Assim sendo, é possível aliar a modernidade da tecnologia digital com a modernidade que é envelhecer.