Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 14/10/2020

De acordo com Steve Jobs, fundador da Apple, a tecnologia move o mundo. Essa visão, embora correta, não é concretizada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que apenas uma parcela da sociedade, aparentemente, corrobora com esse impulso. Enquanto jovens encontram-se engajados em tal desenvolvimento, a inclusão de idosos ainda apresenta desafios. Isso ocorre ora devido ao sentimento de incapacidade perante tais novidades, ora em decorrência do  preconceito.

A priori, é imperativo concatenar o sentimento de inaptidão com o pensamento de Arthur Schopenhauer. Segundo o filósofo alemão, todo homem toma os limites de seu campo de  visão como os limites do mundo. Sob esse viés, integrantes da terceira idade se veem rodeados por tecnologias que não existiam durante a maior parte de suas vidas e, por vezes, não se sentem preparados para a correta utilização. Soma-se a isso a falta de apoio por parte de órgãos governamentais responsáveis pelo bem estar, pois mesmo presente no Estatuto do Idoso o direito a cursos relacionados aos avanços tecnológicos, tal beneficio não é concretizado na prática.

A  posteriori, é  imperioso relacionar o preconceito com o conceito de Cegueira Moral. Conforme Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, na sociedade contemporânea a maldade não é demonstrada somente com atos bélicos e violentos, mas por meio da indiferença e exclusão do outro. Nessa perspectiva, tal panorama é evidenciado na sociedade brasileira, em que poucos produtos são desenvolvidos visando o público mais velho. Como no caso da própria tecnologia, que é focalizada no mercado consumidor juvenil, tendo como causa um maior número de compradores. Porém, com tal comportamento os próprios criadores das tecnologias são os primeiros a criarem barreiras para a integração do idoso.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a inclusão digital da terceira idade. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de cursos gratuitos referentes às novas tecnologia em instituições de ensino públicas. Isso deve ser feito por meio da contratação de profissionais que ensinem aos idosos os mecanismos básicos da utilização de smartphones e redes sociais. Ademais, deve ser feita a divulgação dos locais de ocorrência do curso e convidar através das redes sociais e televisivas jovens voluntários, visando a integração das diferentes gerações e a prática da empatia. Com a finalidade de incluir os idosos às novas tendências digitais, conectá-los com a sociedade e fazer com que os jovens cresçam livres de preconceito e sabendo da importância de apoiá-los. Dessa forma, os idosos ajudarão a mover o mundo por meio da tecnologia.