Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 15/10/2020
“O homem é filho do seu tempo”. A frase do filósofo Hegel é a síntese de sua teoria que define o indivíduo no contexto histórico. Para ele, as relações morais, de trabalho e linguagem são os pilares que promovem, conscientemente, a participação do indivíduo na sociedade. Porém, partindo desse conceito temos um problema, visto que a integração proporcionada no mundo globalizado paradoxalmente não integra os idosos. Nesse contexto, convém analisarmos os principais desafios para inclusão digital desses indivíduos.
Em primeiro lugar, é importante salientar que o cérebro humano possui uma grande capacidade de adaptação chamada plasticidade cerebral. Essa habilidade permite que o nosso cérebro se modifique através dos estímulos proporcionados. O músico alemão Ludwig van Beethoven foi um expoente dessa habilidade. Após ficar surdo, desenvolveu sua sensibilidade musical através das vibrações provocadas pelos instrumentos e, como resultado, compôs a 9ª sinfonia. Em contraste, o cérebro que não se exercita tende a diminuir suas atividades, podendo com o tempo se degenerar. Analogamente a inclusão digital para os idosos surte o mesmo efeito. Apesar de ser um campo desconhecido, o idoso ao explorá-lo adquire novas habilidades e exercita sua capacidade de aprendizado.
Conquanto, é importante compreender que, mesmo existindo a vontade, o acesso pode ser um novo desafio. A escritora Cora Coralina, por exemplo, publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Mesmo escrevendo desde os 14 anos, para ela a maior dificuldade foi conseguir conciliar seu trabalho de mãe e doceira com a poesia. No caso de Cora, a falta de ajuda ou acesso a uma renda segura, fora do seu trabalho tradicional, impossibilitou sua expressão na literatura mais cedo. Obstáculos de acessibilidade são encontrados nas mais variáveis formas, como por exemplo a locomoção. Esta pode inviabilizar a busca do idoso para se incluir digitalmente caso ele dependa de outra pessoa para fazer quaisquer atividades fora de sua residência.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para incluir os idosos no universo digital, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, um curso televisivo de informática com didática especialmente para a terceira idade com veiculação em canais educacionais de TV aberta. O principal objetivo, será apresentar um conteúdo teórico que permita o idoso a compreender o mundo digital mesmo não tendo um computador ou dificuldade de acesso. Tal iniciativa, estimularia a capacidade de aprendizado esses atores sociais e promoveria a integração deles com a contemporaneidade.