Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 15/10/2020
O filme “Up altas aventuras” traz a tona a solidão dos integrantes da terceira idade e a importância da construção de laços entre as gerações. Nessa ótica, com a ampliação do ambiente social para o espaço virtual, a inclusão digital dos idosos torna-se cada vez mais necessária para que eles possam interagir com os demais usuários dessa rede. Contudo, obstáculos físicos e sociais dificultam a integração dos mais velhos, bloqueando, assim, sua conexão com o mundo.
Em primeiro plano, é válido analisar que os indivíduos da terceira idade, por viveram a maior parte de suas vidas sem terem contato com a tecnologia, apresentam uma justificável dificuldade de adaptação a ela. Dessa forma, a falta de acessibilidade dos aparelhos eletrônicos- no que tange ao seu tamanho, à má disposição dos aplicativos e da interface- somado à ausência de tutoria ampliam a exclusão desse grupo. Assim, a indisposição dos mais jovens ao instruir seus pais ou avós em tarefas digitais básicas coloca em risco o tecido social, uma vez que, para Émile Durkheim a sociedade funciona tal como um corpo biológico, necessitando do bom desempenho entre as partes.
Além disso, consequências psicológicas, sociais e físicas decorrem dessa falta de inclusão. Nesse sentido, segundo o filósofo francês Pierre Levy “Toda nova tecnologia gera seus excluídos”, dessa forma, quando o idoso não tem acesso à principal ferramenta de vínculo com o mundo externo e, muitas vezes, com os familiares mais próximos, o sentimento de solidão e abandono aumenta ainda mais. Com isso, a fragilidade emocional causada por essa sensação potencializa o isolamento social e o surgimento de doenças acarretadas por alterações imunológicas.
Dado o exposto, é mister romper os obstáculos que impedem a ideal interação digital da população mais velha. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, por meio da criação um programa nacional de alfabetização virtual, realizado dentro da rede pública de ensino, introduzir aulas direcionadas a idosos interessados em aprender a mexer em seus celulares e computadores, com o objetivo de auxiliá-los em tarefas básicas e promover a sua inclusão digital. A partir disso, o corpo biológico tornará a funcionar normalmente, com a boa relação entre todas as partes.