Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 23/10/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã garante o direito de equidade e lazer à população. No entanto, observa-se o descumprimento dessa premissa constitucional, uma vez que a terceira idade enfrenta dificuldades de inserção no meio digital. Com isso, ponderar sobre a perspectiva histórica do tratamento com os idosos e o uso da tecnologia na contemporaneidade frente à problemática é medida que se faz necessária.
Em primeiro lugar, é fulcral salientar que na Grécia Antiga, durante o período Helenístico, as pessoas com idade mais avançada tinham grande prestígio e participação social devido às experiências e às sabedorias acumuladas durante a vida. Entretanto, desde a recente Revolução Digital, período em que a internet e os aparelhos eletrônicos popularizaram-se, o idoso começou a ser marginalizado das relações sociais, pela dificuldade de adaptação às novas tecnologias. Nesse sentido, as interações interpessoais no meio cibernético cresceram de maneira exponencial, enquanto as políticas públicas voltadas à inserção dos anciões da nossa sociedade ao contexto atual foram inexistentes.
Em segundo lugar, vale destacar que a mídia digital, como Facebook, é uma plataforma social importante para amplitude da democracia, por causa do seu caráter comunicativo e deliberativo. Contudo, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser transformado em mecanismo de exclusão. Dessa forma, nota-se que a dificuldade de adaptabilidade da comunidade idosa com o manuseamento das tecnologias hodiernas, como retratado em reportagens feitas pelo Jornal Nacional no primeiro trimestre de 2020, é um vilipendiamento dos princípios constitucionais, ao passo que a sociedade é cada vez mais dependente do acesso à internet, para entretenimento ou comunicação.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação (MEC) medidas efetivas, a fim de incluir a terceira idade no cenário virtual. Logo, o MEC deve promover palestras em praças e teatros públicos, com o objetivo de atrair a atenção das pessoas mais velhas e, com a ajuda de jovens voluntários, essa parcela da sociedade terá a oportunidade de aprender e de interagir com os aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores. Ademais, deve ser criada a #INCLUSÃODIGITAL, para que essa iniciativa seja compartilhada nas plataformas digitais e junte maior parcela da população em prol dessa causa social.