Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 29/10/2020
Embora a humanidade, ao longo de sua história e desenvolvimento, estar constantemente buscando a longevidade, a qualidade de vida e bem estar dos mais velhos não parece ter entrado em questão. Nesse sentido, mesmo que a era digital resolva alguns problemas de comunicação, cria um contingente populacional - a terceira idade - que não compreende a linguagem internet. Logo, a comunicação virtual não consegue dialogar com este grupo, uma vez que não foram devidamente introduzidos ao novo mundo.
Em primeira análise, o desenvolvimento tecnológico exponencial não contempla a necessidade da população anciã. Assim, objetos de uso socialmente obrigatório como o telefone celular, que antes dispunham de teclas analógicas facilmente utilizáveis, já quase não possuem botões ou manuais. Nesse contexto, observa-se o movimento significativo e excludente da Apple de retirar o manual da caixa de seu último lançamento, o IPhone 12, assumindo precipitadamente que seus usuários possuem conhecimento prévio.
Ainda, a digitalização de serviços básicos, além de gerar desemprego estrutural em diversos casos, como o de caixas de supermercado, dificulta a independência da população idosa. Logo, com a adoção dos aplicativos por parte dos bancos, em detrimento do atendimento pessoal e individualizado, a maior parte dos excluídos digitais necessitam de auxílio de terceiros para o manuseio dos “apps”, deixando-os à mercê de roubos bancários e de dados.
Em suma, a linguagem tecnológica atuante não dialoga com a população mais velha, contraditoriamente, gerando uma barreira de comunicação. Deste modo, faz-se urgente uma ação do Estado de combate à exclusão tecnológica, na qual estudantes universitários darão aulas para a população mais velha, os introduzindo e instruindo no uso básico e seguro da tecnologia. Deste modo, os universitários receberão salários pagos pelo Estado referente ao número de horas-aula, ajudando financeiramente os mais jovens e cotidianamente os mais velhos, além de promover uma troca de saberes única.