Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 24/11/2020
Na música “Meu querido, meu velho, meu amigo”, o cantor brasileiro Roberto Carlos não só homenageia seu pai, mas também retrata e valoriza características da população idosa, como a sabedoria e a experiência. Entretanto, infelizmente, a postura atual da sociedade brasileira contrasta com a admiração manifestada na canção, haja vista a absurda falta de inclusão digital para idosos, o que revela um irresponsável descaso com esses. Nesse sentido, o prejuízo no exercício da cidadania e a marginalização dessa parcela da população são problemas a serem discutidos.
A partir disso, o artigo 3º do Estatuto do Idoso assegura e reforça aos mais experientes o direito à cidadania. No entanto, a realidade diverge do proposto, pois a irresponsável falta de educação digital para idosos compromete os seus direitos políticos, já que se constata, atualmente, uma democracia digital na qual a participação política e os meios de comunicação, estão, majoritariamente, vinculados ao mundo virtual. Dessa forma, tal quadro demonstra a absurda exclusão e desvalorização desse grupo da sociedade, bem como retrata a negligente postura do Estado, o qual deve direcionar recursos para assessorar os idosos no uso de tecnologias, de maneira gratuita.
Além disso, vale notar que o idoso é marginalizado na contemporaneidade - haja vista a exclusão desse do mundo digital, por exemplo - pois é, por ignorância, colocado em segundo plano pelo restante da população. Deve isso, de acordo com o professor e advogado Antônio Morato, à visão de que os jovens representam o novo, enquanto os idosos são o passado. Essa negligente perspectiva não somente dificulta a inserção digital, visto que todos são o presente, como também revela a desrespeitosa desvalorização dos mais experientes vigente na sociedade, a qual está enraizada e deve ser combatida através da educação. Portanto, faz-se necessário recuperar a valorização manifestada na música de Roberto Carlos.
Logo, cabe ao Estado, através do direcionamento de recursos públicos, oferecer aulas de educação digital às pessoas acima de sessenta anos, as quais devem ser gratuitas e divulgadas em massa pela mídia, a fim de promover uma maior aderência desse público ao mundo virtual. Bem como, o Ministério da Educação deve, por meio de um projeto de conscientização realizado em todas as escolas do país, promover palestras sobre a importância de ouvir e de respeitar os mais experientes, para estimular a justa valorização desse grupo na sociedade, o que ajudará no combate à exclusão digital.