Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 26/12/2020

As civilizações da Antiguidade Clássica, como a helenística, as pessoas com idade avançada eram vistas como um símbolo de respeito e admiração, já que havia uma relação muito íntima entre a sabedoria e a velhice. Entretanto, no Brasil do século XXI, esses indivíduos são marginalizados dos processos e acontecimentos modernos, inclusive, excluídos do uso das novas tecnologias. Nesse contexto, questões como o preconceito e a falta de educação midiática tornam-se desafios de máximas urgência no País.

Em primeiro plano, o preconceito em relação ao idoso dificulta sua permanência no mercado de trabalho. A esse respeito, segundo a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil terá mais idosos do que jovens em 2060. Ocorre que com o aumento da expectativa de vida e o aumento no número de pessoas da terceita idade, a presença dessa faixa etária no âmbito de trabalho será cada vez maior. Tal cenário evidencia a importância da inclusão de idosos na era digital e a erradicação do preconceito, por meio do incentivo aos mais jovens a auxiliarem as pessoas da geração mais antigas, caso contrário, o mercado de trabalho sofrerá com a escassez de profissionais instruídos tecnologicamente. Dessa forma, não é razoável que a ausência de iniciativas assistenciais por parte da sociedade jovem impessa os mais velhos de ingressarrem em um emprego.

De outra parte, a falta de educação midiática corrobora a problemática. Sob essa ótica, de acordo com a Universidade de Nova Iorque, a população da terceira idade possui sete vezes maior tendência de compartilhar notícias falsas. Acontece que a ausência de programas governamentais os quais promovam o acesso dos idosos a aulas de informática, com o intuito de facilitar a compreensão e o manuseio correto e crítico das redes sociais, coloca-os sujeitos à fake news e à manipulação. Assim, enquanto o fomento de políticas públicas para a promoção da inclusão dos idosos não for a regra, o fim da propagação de notícias falsas e a universalização do acesso a tecnologias serão a exceção.

Urge, portanto, medidas as quais promovam a democratização tecnológica. Dessa maneira, o poder público deve, em parceria com a mídia governamental, fomentar propagandas que mostrem a importância do ensino tecnológico para a vida social e empregatícia dos idosos, por meio das redes sociais, a fim de incentivar os jovens e adultos a auxiliarem os mais velhos a usarem os smartphones. Ademais, o Governo Federal pode realizar, em conjunto com as escolas, aulas de informática, por intermédio da contratação de professores de informática. Essas inciativas teriam a finalidade de promover a inclusão, erradicar o preconceito e ainda garantir a educação midiática de qualidade. Dessarte, no Brasil, os idosos serão valorizados e respeitados como na Antiguidade Clássica.