Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 04/01/2021

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que cocerne aos desafios para a inclusão digital da terceira idade, visto que a maioria dos idosos enfrentam dificuldades por não estarem familiarizados com as novas tecnologias. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o individualismo e o silenciamento.

A princípio, a falta de empatia dos jovens com os idosos caracteriza-se como um complexo dificultador. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à exclusão digital da terceira idade, pois a maior parte dos adolescentes crescem inseridos no ambiente digital, mas não são empáticos, uma vez que acabam negligenciando os avós, por exemplo, quando não ajudam eles a fazer  tarefas simples em um celular. Essa liquidez que influi sobre a questão do analfabetismo digital funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Além disso, outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de discussão sobre a inclusão digital da terceira idade no Brasil. A respeito disso, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o da falta de inclusão dos idosos no mundo das tecnologias seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. Entretanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que permanece silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Convém, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Para isso, é preciso que o Ministério da Educação (MEC) desenvolva “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para enfrentar problemas como o analfabetismo digital, por meio de atividades direcionadas aos alunos do ensino médio, porém, o evento também será aberto à comunidade. Tais atividades serão em torno de como praticar a empatia ajudando os mais velhos a se inserir no ambiente virtual, a fim de superar os desafios para a inclusão digital da terceira idade.