Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 13/01/2021
Na mitologia grega, Aquiles, o temível guerreiro de Troia, foi atingido em seu calcanhar por uma flecha envenenada, o qual era seu único ponto fraco de uma vida gloriosa. Analogamente ao mito, o Brasil é atingido em seu calcanhar, que é a população brasileira, pela flecha da negligência governamental, que envenena as pessoas e proporciona grandes problemas. Diante do exposto, não há dúvidas de que são grandes os desafios para a inclusão digital da terceira idade, o qual tem causa na ilegitimidade governamental, além da cultura enraizada na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, é evidente que a participação governo na inclusão digital é necessária, principalmente dos idosos que, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, até 2050 representam 25% da população mundial, entretanto, não é o que acontece, visto que, consoante à pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, quase metade da população não tem acesso às tecnologias. Segundo o sociólogo Max Webber, o Estado só é legítimo quando respeita os direitos do cidadão. Sob essa perspectiva, é indubitável que a máxima do autor não é seguida, uma vez que a atual regência não assegura o alcance ao mundo tecnológico. Desse modo a ilegitimidade governamental funciona como forte base para a falta de inclusão digital, agravando o problema no Brasil.
Ademais, é possível notar que a cultura enraizada no Brasil está entre as causas do problema. Segundo a filósofa Hannah Arrent, em ‘‘A Banalidade do mal’’ o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro e cotidiano. Nessa perspectiva é tangível que a ideia do idoso não ter conhecimento tecnológico é normal, está enraizado na realidade do cidadão brasileiro. Dito isso, percebe-se que o pensamento de Hannah é comprovado tanto na teoria quanto, na prática. Diante disso, nota-se que o calcanhar da nação está totalmente vulnerável.
Portanto, medidas são necessárias combater o problema. Logo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações promover um ensino tecnológico e digital aos idosos, por meio de incentivos e auxílios, a exemplo de cursos gratuitos e exclusivos de computação e informática, afim de assegurar o acesso às tecnologias para essa parcela da população. Além disso, o Ministério das Comunicações deve estimular a inclusão digital da terceira idade, por meio de campanhas em rádios e televisões, que são os meios de maior alcance à população, com o objetivo de modificar a cultura enraizada na sociedade brasileira. Dessa forma, o calcanhar de Aquiles estará protegido de qualquer flecha envenenada.