Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 20/03/2021
O capitalismo é um sistema econômico que visa o lucro e o acúmulo de capital, e é baseado no pensamento de propriedade privada dos meios de produção, ou seja, sem interferência estatal. Como o Brasil é um país majoritariamente jovem, há uma baixa preocupação em relação aos direitos de inclusão social relacionadas aos idosos, e as empresas de tecnologia têm como parâmetro aqueles produtos que irão atender aos interesses do maior grupo, como consequência tem-se uma legislação deficiente em proteger os direitos da terceira idade e uma baixa oferta de dispositivos eletrônicos adaptados para atender a mesma.
Uma projeção realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que em 2050 a população brasileira deixará de ser considerada jovem e passará a ser vista como idosa, isso se dá devido à diminuição da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida no Brasil. Sendo assim, percebe-se que em um país envelhecendo a garantia da inclusão digital na terceira idade é um dos fatores mais importantes para assegurar o bem estar dessa crescente parcela da população, que é uma das mais importantes para a cultura e identidade de uma nação.
De acordo com os estudos de Emile Durkheim sobre o “Fato Social”, percebe-se que um indivíduo é moldado através da influência da sociedade que o circunda. Entretanto, para toda regra há uma exceção, e esse é o caso da terceira idade. Como no Brasil tem-se uma comunidade cada vez mais “conectada”, era de se esperar que até mesmo os idosos participassem desse novo meio de socialização, mas essa não é a realidade. Com a falta de uma legislação defendendo o direito da inclusão social da terceira idade, como por exemplo o direito de uma educação a essa tecnologia e a adaptação da mesma, acaba por haver uma exclusão social dela, o que é bem preocupante, já que estudos do IBGE mostram que essa é a principal causa da depressão nos sexagenários.
Tendo como base os argumentos apresentados, ver-se-á que a inclusão digital traz diversos benefícios para a população e sendo assim essa questão deve ser tratada com a devida atenção. E em um país onde a população envelhece exponencialmente, a “conditio sine qua non” para que haja a inclusão digital é que tanto o Estado quanto as indústrias apoderadas dos meios de produção pensem no crescente público consumidor, que é a terceira idade, e se adéquem para suprir as necessidades da sociedade e garantir os seus direitos sociais.