Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 22/03/2021

Com as modificações do século XXI, o geógrafo Milton Santos cunhou o termo “meio técnico-científico-informacional” para determinar a dinâmica do mundo globalizado. Para o autor, na contemporaneidade nota-se a transformação de uma sociedade totalmente tecnicista para um espaço onde as tecnologias desempenham papel crucial na formação social. Dessarte, é imprescindível que haja um conhecimento dos novos modos tecnológicos por todos os indivíduos para que não suceda a exclusão de nenhum grupo em relação às inovações atuais. Todavia, quando se trata de inclusão digital, algumas parcelas da sociedade sofrem maior dificuldade de incorporação, como a terceira idade, uma vez que a internet e suas tecnologias são relativamente recentes, gerando impasses sociais que necessitam ser solucionados.

Por esse viés, é notório que os idosos são, majoritariamente, exclusos do âmbito digital pela ausência de assistência a eles direcionada. Schopenhauer, importante filósofo polonês, discorre acerca do egoísmo humano, tendo em vista que, a tendência do ser é não interferir em problemas que não lhe atingem diretamente. Assim sendo, uma vez que a maioria da população no Brasil - segundo o Instituto Brasileiro de Estatística - possui uma média de 32 anos, existe um desinteresse dominante para o auxílio de indivíduos da terceira idade no que tange o âmbito digital. Desse modo, o acesso à internet e à aprendizagem aos meios modernos e atuais que predominam em várias esferas, como a profissional, torna-se complexo e desencadeia a exclusão globalizada e digital de tal grupo da sociedade.

Outrossim, considerando-se que, hodiernamente, a sociedade é pautada na tecnologia de ponta e vivencia o mundo globalizado, é de suma importância que haja a incorporação de todos os setores da população em tais métodos. A Constituição Federal Brasileira, elucidando tal fato, discorre no artigo 230 sobre os direitos dos idosos, pontuando sobre a necessidade de assegurar a participação desse grupo na comunidade. Logo -quando não há o cumprimento de tal máxima - há a ocorrência de diversas injustiças e a terceira idade fica cada vez mais à margem da sociedade, se desatualizando e excluindo-se socialmente.

Portanto, é de suma importância que haja a reflexão e resolução de tais problemáticas. É míster o papel do Estado- como gerador da sociedade - agindo em conjunto com o Ministério da Cidadania e da Educação -como organizador do bem-estar dos indivíduos- para juntos organizar programas gratuitos em espaços públicos, como bibliotecas e escolas - em que haja computadores e celulares com acesso à internet. Assim, com a presença de técnicos de informática e professores- que saibam guiar os indivíduos da terceira idade ao aprendizado do uso das novas tecnologias- haverá uma maior inclusão.