Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 08/06/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a inclusão digital da terceira idade apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico pode ocasionar tanto a exclusão do indivíduo, quanto a confiança nas informações compartilhadas em redes sociais. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a exclusão digital deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que se refere à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, percebe-se que a exclusão digital acarreta um grande problema para a sociedade, uma vez que os idosos é a parcela que mais sofre com o uso de dados, onde se faz tudo pelo celular, sem precisar se deslocar até uma agência. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a confiança nas informações divulgadas como impulsionador do problema. Segundo R.Buckminster Fuller, escritor e inventor, a humanidade está adquirindo toda tecnologia certa por todas as razões erradas. Partindo desse pressuposto, o uso da tecnologia para divulgação de notícias falsas, acabam prejudicando toda a população e em grande parte os idosos, que tem dificuldade de confirmar a veracidade dos fatos noticiados. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que as “fake news” contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à constituição de um mundo melhor. Destarte, a mídia pode ajudar na exposição da internet como difusora do conhecimento e informação, além de abordar casos que contribuíram para o engajamento político dos internautas na sociedade, como as manifestações em 2013 e a Primavera Árabe, em 2011. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com as ONGs, devem instituir, nas escolas, projetos educacionais e culturais, como a presença de cursos online e a orientação de encontros em grupo, que discutam sobre o uso da tecnologia. a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de platão.