Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 13/06/2021
A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de conflitos sociais, a partir de uma comparação com seu precário cenário inglês do século XVIII. Analogamente, o contexto brasileiro hodierno é semelhante ao lastimável de More, pois a inclusão digital da terceira idade ainda apresenta desafios, tais quais a omissão estatal e os discursos estigmáticos. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desses desafios.
É de crucial importância, de início, analisar a ideia da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito à naturalização de problemáticas e sua consequente banalização. Desse modo, o cenário atual da naturalização de discursos estigmáticos acerca da falta de capacidade dos idosos de aprender a manusear os recursos digitais, visto que eles cresceram sem o uso desses recursos, relaciona-se com a ideia de Hannah. Essa realidade é grave justamente porque ocasiona a banalização do descrédito nos idosos e uma consequente invisibilidade desse grupo social, o que dificulta, ainda mais, sua inclusão digital. Nesse sentido, a banalização é devido à postura inercial da sociedade em promover ações que estimulem a quebra dos discursos hodiernos, como a criação de campanhas nas redes sociais para inserir os idoso no meio digital.
Outrossim, convém ressaltar o pensamento do filósofo Aristóteles, o qual entendia a fulcralidade do papel do Estado de assegurar o bem coletivo por meio de suas ações. Entretanto, a conjuntura brasileira atual é oposta à de Aristóteles, visto que inclusão digital dos idosos não é efetivada por causa da omissão estatal em garantir projetos educativos sobre os recursos digitais, a exemplo de aulas gratuitas em espaços públicos. Ocorre que essa negligência estatal interfere diretamente no bem coletivo, uma vez que, por não ter a devida educação, os idosos são impossibilitados de se inserirem na sociedade, tendo em vista o papel ímpar da tecnologia no quesito da sociabilidade. Além disso, a rápida informação e comunicação, advinda dos meios digitais, são duas características do mundo globalizado as quais os idoso não poderão usufruir enquanto a omissão estatal persistir.
Urge, por conseguinte, a atuação do Ministério da Cidadania para promover projetos educativos, por intermédio de aulas gratuitas acerca do uso dos recursos digitais em espaços públicos, tais quais praças e conselhos comunitários. Essa ação seria mediada pelo envio de verbas financeiras aos municípios os quais iriam direcionar as verbas à compra de computadores e celulares para que haja as aulas de forma mais efetiva, tendo a finalidade de assegurar a educação digital aos idoso e ter, destarte, a quebra dos estigmas sobre a falta de capacidade deles e a inclusão digital dos idosos.