Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 30/06/2021

A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – garante o direito à educação. Infelizmente, quando se observa os desafios para a inclusão digital dos idosos, verifica-se que o ideal da legislação é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela carência de posicionamento político, seja pelo individualismo das pessoas.

Nessa conjuntura, evidencia-se, por parte do Estado, ausência de políticas públicas suficientemente eficazes para pôr fim no cenário da exclusão digital dos idosos. Essa lógica é comparada pelo papel passivo que o Ministério da Educação exerce na administração do país, já que foi instituído para garantir acesso amplo à educação para todos os cidadãos brasileiros, em todas as idades, porém falha ao não oferecer educação digital aos idosos. Dessa forma, tal perspectiva contrasta com a ideia aristotélica de que a política deve ser utilizada parar equilibrar a sociedade.

Outrossim, destaca-se o individualismo das pessoas como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, ou seja, uma época de artificialidade nas relações humanas que é caracterizada pelo individualismo. Ao seguir essa linha de pensamento, com a falta de empatia dos seres sociais em relação às gerações anteriores, percebe-se que os idosos são vistos como incapazes de ter conhecimento tecnológico, assim, torna-se imperiosa a mudança desse pensamento retrógrado, pois, segundo pesquisa do IBGE, em 2027 o Brasil terá aproximadamente 37 milhões de idosos. Logo, é necessário ter empatia com os idosos, a fim de romper a bolha da modernidade líquida.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar a mazela social. Paralelamente, o Ministério da Educação, em parceria com o Poder Legislativo, deve propor a criação de um Ministério da Tecnologia, por meio de uma carta entregue à Câmara dos Deputados. Tal Ministério oferecerá aparato básico para inclusão tecnológica dos idosos, garantindo cursos gratuitos, com duração de 18 meses, que ensinem os conceitos básicos acerca do uso de redes sociais e digitação. Espera-se, com essa ação, incluir os idosos no mundo tecnológico e assegurar os direitos propostos pela Carta Magna de 1988.