Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 31/08/2021
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos em uma sociedade possuem a mesma importância. Entretanto, tal cenário não tem se reverberado no corpo social, haja vista que a terceira idade enfrenta diversos desafios na inclusão digital. Essa realidade se deve à sensação de superioriedade, e contribui para a desvalorização dessa parcela populacional.
Antes de tudo, é importante enfatizar a falsa supremacia social como um complexo dificultador. Segundo o filósofo Michel Foucalt, em sua obra “Microfísica do Poder”, existem sutilezas que servem para estabelecer uma hierarquia de domínios interpessoais. Diante disso, é evidente essa mentalidade no imaginário coletivo, uma vez que os idosos são considerados supostamente inferiores por apresentarem dificuldades de assimilar o aprendizado na área tecnológica, o que favorece um preconceito dessa parcela na sociedade. Assim, é vital romper essa mentalidade retrógrada brasileira.
Por conseguinte, a terceira idade é excluida das relações contemporâneas. Nesse sentido, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman: “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. De maneira análoga, os idosos que não se adaptaram a tais avanços das tecnologias, são excluídos nesses meios, o que não só favorece uma “morte” social destes, mas também uma desvalorização deles, que são vistos de forma equivocada como irrelevantes — fato que impossibilita a construção de uma sociedade igualitária, consoante Tomás de Aquino.
Em suma, medidas devem ser tomadas para amenizar esse impasse. Portanto, urge que o Estado — enquanto guardião do bem-estar coletivo — crie, por meio de um decreto federativo, um programa nacional de inclusão da terceira idade. Tal programa deverá promover capacitações de informática, com o intuito de efetivar a inclusão desse grupo no ambiente digital. Dessa forma, a parcela social com idade avançada não será observada como “morta” socialmente, conforme afirmou Bauman.