Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 29/09/2021

A Constituição Brasileira de 1988 garante que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis para a manutenção da igualdade social.No entanto, ao analisar a falta de inclusão digital para idosos, vê se que, o problema além de grave, se torna inconstitucional. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da negligência governamental e da base familiar deficitária.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a ineficácia do governo presente na questão. De acordo com Friedrich Hegel, é dever do estado proteger os seus filhos. Nesse sentido, o Estado não propõe projetos -em parcerias com empresas de tecnologia- que visem a criação de smartphones que facilitem o acesso do idoso na internet, com a interface adaptada especialmente para o fácil entendimento desse corpo social. Dessa forma, sem adaptações como aumento da fonte da escrita e aplicativos essenciais já instalados, fica mais difícil atender as necessidades dos mesmos. Assim, o estado em vez de promover políticas públicas que atenuem a falta de inclusão digital para idosos, contribui para a solidificação do problema.

Além disso, cabe ressaltar que a negligência familiar é um forte empecilho para a resolução do problema. Nessa perspectiva, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange a inclusão digital de idosos. Nesse contexto, as famílias não têm auxiliado a terceira idade a utilizar celulares e computadores, e muitas vezes, quando ajudam, acabam fazendo no lugar dos longevos, sem ensiná-los as etapas para concluir a tarefa. Logo, a falta de empatia das famílias com os idosos, funciona como impedimento para erradicar o problema.

Portanto, medidas são necessárias para a solução do problema. Dessa maneira, cabe o Estado, em parcerias com empresas de tecnologia, por intermédio de destino de verbas, promover a criação de smartphones adaptados para a terceira idade, com versão de aplicativos com a interface ampliada e simplificada, somado a tutoriais em vídeo quando acessarem tais aplicativos, a fim de que os idosos consigam a sua independência digital. Outrossim, cabe à mídia promover campanhas informativas sobre a inclusão digital de idosos e sua importância, para que atinjam as famílias que não auxiliam os parentes de idade avançada, a fim de mitigar a desatenção das famílias com os longevos. Somente assim será possível reverter o quadro e, ademais, garantir que a máxima proposta na Carta Magna se torne realidade na sociedade brasileira.