Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 09/11/2021

No filme “Um Senhor Estagiário” é retratada a realidade de um aposentado de 70 anos que precisa se adaptar às tecnologias atuais para se encaixar no mercado de trabalho. Fora da ficção, a inclusão de idosos no cenário digital ainda é acompanhada de obstáculos, visto que a omissão dos fabricantes de aparelhos tecnológicos, assim como a inobservância estatal, contribuem para o atraso tecnológico da terceira idade.

Em primeiro plano, averigua-se a negligência das empresas desenvolvedoras de eletrônicos pela pouca informação entregue aos usuários mais velhos e pelas interfaces pouco intuitivas. Nesse sentido, segundo a revista Galileu, os idosos não possuem a mesma facilidade que os demais indivíduos para absorver instruções e memorizá-las a longo prazo, por isso, é preciso que tal fato seja avaliado de forma empática. No entanto, as grandes marcas priorizam a complexa tecnologia direcionada aos jovens em detrimento de sistemas que poderiam auxiliar os mais velhos que possuem dificuldades, já que é o tipo de público que gera maior parte do lucro. Outrossim, de acordo com o sociólogo Karl Marx, a sociedade capitalista coloca o dinheiro a frente do ser humano, o que pode ser comprovado com a omissão dos fabricantes de modo a garantir um maior capital e com a falta de empatia aos idosos.

Além disso, o dever do Estado de garantir a isonomia entre os cidadãos não se concretiza, considerando que os representantes não têm feito eficientemente seu papel na inclusão dos idosos na era digital. Nesse viés, o filósofo John Hawls acreditava que a justiça social somente se consolida ao oferecer às minorias benefícios que garantam a equidade perante os demais. Em analogia, o governo fere a justiça da sociedade quando não disponibiliza meios de suporte e de incentivo à desmistificação das tecnologias atuais às pessoas mais velhas, as quais sentem insegurança ao descobrir a imensidão do universo digital. Ademais, uma pesquisa realizada pelo jornal O Globo revelou que 60% dos idosos não possuem o devido auxílio para compreender melhor seus telefones celulares e assim, ficam à margem da sociedade.

Portanto, é necessário que o Estado crie um método de acessibilidade digital para a geração mais velha. Por isso, cabe desenvolver centros de ajuda ao idoso nas cidades pela contratação de uma equipe de psicólogos e técnicos de informática, por meio de concursos públicos, a qual irá ensinará os indivíduos a utilizar seus aparelhos e conversará sobre todas as dúvidas e cuidados que devem ser tomados na internet. Desse modo, a fim de tornar os meios digitais acessível à terceira idade, com os locais de suporte em funcionamento por 24 horas por dia, será possível garantir a justiça social e a equidade entre os cidadãos.