Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 11/11/2022

A filósofa francesa Simone de Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos acostumamos a eles”. De maneira análoga a isso, tem-se a sociedade brasileira, que naturalizou o analfabetismo digital dos idosos. Nesse contexto, destacam-se aspectos importantes na persistência da problemática, como a inoperância governamental e a invisibilidade do assunto.

Sob esse viés, é inegável que a negligência estatal, na elaboração de políticas públicas voltadas à assistência e inclusão dos idosos no meio digital, acentua gravemente o problema. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman formulou o conceito “Instituição Zumbi”, o qual refere-se às instituições que deixaram de cumprir seu papel. Da mesma forma, o Estado, ao falhar na garantia de informação e tecnologia para a população da terceira idade, opera como zumbi, conforme a ideologia de Bauman.

Ademais, a carência de debates sobre o revés faz com que sua resolução se distancie de forma marcante. Sob esse viés, o teórico francês Michel Foucault, elaborou a construção “Hegemonia dos Discursos” para explicar como algumas teses se sobressaem a outras, resultando no silenciamento de pautas importantes. De modo semelhante, o analfabetismo digital dos idosos, por ocupar uma posição insignificante na hierarquia foucaultiana, é apagado das discussões. Sendo assim, é inadmissível manter, em pleno século XXI, esse cenário perverso.

Portanto, mudanças são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Mulher, da Famíla e dos Direitos Humanos - órgão federal responsável pela inclusão de minorias e promoção da igualdade - deve desenvolver campanhas de instrução aos idosos sobre o uso das tecnologias, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, a fim de garantir à terceira idade o acesso ao universo digital.