Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 08/03/2024
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante aos desafios para a inclusão digital da terceira idade. Nesse sentido, há de se desconstruir não só a indiferença do Estado, bem como o individualismo que favorecem o quadro atual.
A priori, convém ressaltar que a omissão da máquina pública é um potencializador do imbróglio. A respeito disso, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de Contrato Social, segundo o qual os indivíduos cedem sua confiança para o Estado que, em contrapartida, deveria garantir direitos básicos aos cidadãos. Contudo, contrariando tal máxima, as autoridades públicas negam o bem-estar geral dos idosos, haja vista que há carência de projetos de lei que visem incluí-los no meio digital ou ofertem cursos gratuitos.
De outra parte, a falta de empatia do núcleo familiar é outro complexo dificultador. Nessa perspectiva, consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade. Sob essa lógica, os familiares apresentam dificuldade em se reconhecer nos anciões, haja vista que não possuem empatia e, portanto, não tem paciência para ensinar.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas com o intuito de superar os desafios da inclusão digital da terceira idade. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) promover cursos de capacitação digital para os sêniores, mediante remanejo de verbas da União. Além disso, deve divulgar nas mídias sociais a importância dos familiares terem empatia e incluir os idosos no meio digital. A finalidade de tais iniciativas seriam não só proporcionar a capacitação da terceira idade, bem como orientar os núcleos familiares a lidarem com a questão também.