Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 12/03/2020
A andragogia é o ramo da ciência voltado para educação dos adultos, que contrastam com a pedagogia referente às crianças. Essa distinção científica já mostra por si só que a educação para pessoas maduras necessita de diferentes abordagens. Entretanto, a falta de capacidade do meio universitário para lidar com a diferente formação social e com o ritmo de aprendizagem dos idosos gera exclusão dessas pessoas nesse ambiente. Tais fatos evidenciam a necessidade de inclusão dessa parcela da população.
Em primeiro plano é válido ressaltar o projeto de lei, aprovado em 2020, que altera, para 65, a idade mínima para uma pessoa ser considerada idosa. A partir disso infere-se que o idoso mais novo atualmente nasceu em 1955 e, por isso, obteve uma formação diferente daquela ensinada hoje. A veracidade do supracitado pode ser comprovada pela data de chegada da internet no Brasil (1988), implantada com ajuda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para facilitar estudos e pesquisas e, desde então, tornou-se um conhecimento indispensável. Diante disso, os avanços obtidos não fizeram parte da formação social dos idosos atuais e a presença desses elementos nos meios acadêmicos os distanciam do ensino superior.
Outrossim, a pessoa idosa apresenta natural redução nas capacidades, como a visual, o que desacelera o ritmo de aprendizagem dela. A título de ilustração, o filme “Um senhor estagiário”, protagonizado por Robert de Niro, mostra as dificuldades que um homem de 70 anos encontra para enxergar o tamanho das letras do computador e do celular, o que retardava o processo prático de utilização das ferramentas. Nesse sentido, além de lidar com a tecnologia nunca manuseada anteriormente, os idosos ainda precisam contornar as debilidades físicas dessa fase da vida.
Portanto, fica evidente que os anciãos demandam amparos para serem incluídos com deferência no meio universitário atual. Para isso, as universidades credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) devem criar projetos de extensão com uma equipe técnica de andrologia que proponha debates entre jovens e adultos a fim de dialogar diferentes formações sociais com o propósito de integrar as gerações. Além disso, esses projetos devem incluir oficinas de informática que ensinem como utilizar as tecnologias disponíveis de forma que seja possível a eles contornar a redução das habilidades e tornar eficiente a jornada dos “novos” estudantes. Assim, o acesso à educação será ampliado a todo público.