Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 12/03/2020
Atualmente, a faixa etária que mais cresce no Brasil é a dos idosos. De acordo o IBGE, em 2030, haverá mais idosos que crianças no país. Com base em estudos que indicam o envelhecimento da população, foi debatida e aprovada, em 2019, uma nova reforma da previdência que estabelece novas idades para aposentadoria. Como terão que trabalhar mais anos para o acesso à aposentadoria, muitos idosos vêm buscando uma melhor formação. Contudo, a inclusão do idoso no ensino superior enfrenta dois grandes obstáculos: há desinvestimento no ensino superior gratuito e existem poucas perspectivas laborais no país para egressos idosos.
De início, vale ressaltar que, em 2016, foi aprovada a chamada “PEC da Morte”, Emenda Constitucional 95, que torna inalterado por vinte anos o teto de gastos. Isso afeta grandemente o ensino superior no país, já que não haverá majoração do orçamento para acompanhar o incremento da demanda, pois os recursos das universidades estão atrelados ao orçamento da União. Ademais, segundo o IBGE, em 2019, a renda média do brasileiro não chegava a 500 reais. Isso faz com que o acesso limitado dos idosos aos espaços de ensino seja ainda mais restringido, uma vez que, em sua maioria, não podem arcar com os custos do ensino privado.
Além disso, mesmo que consigam concluir o ensino superior, as perspectivas de trabalho e emprego são diminutas. Para o Dieese, em janeiro de 2019, o desemprego já afetava mais de 15% dos brasileiros em idade ativa. E é sabido que existe preferência dos empregadores por empregados com menor idade, porque estes têm maior vigor físico e intelectual.
Portanto, para que haja mais idosos no ensino superior é necessário que haja mais oportunidades de ensino gratuitas e empregabilidade dessa faixa etária. Para tanto, o Governo Federal deve editar lei que suste o teto de gastos e destine mais recursos às universidades. Deve também editar lei que estabeleça cotas para idosos no serviço público e iniciativa privada. Dessarte, mais idosos obterão acesso à educação superior.