Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 14/03/2020

Transição demográfica é o nome dado pelas ciências humanas para o processo de mudança do perfil de uma população, cujas taxas de natalidade e de mortalidade decaem e há aumento na expectativa de vida. Dentro desse contexto, observa-se uma série de obstáculos impostos aos idosos, sendo um deles sua inclusão no ensino superior. A esse respeito, existem desafios como a pequena habilidade desse espectro da população com novas tecnologias e a falta de estímulo estatal para que a terceira idade ocupe outros espaços na sociedade.

A princípio, é preciso salientar que quando uma pessoa não domina os meios tecnológicos, sua convivência social é diretamente prejudicada. Nesse sentido, o escritor Alvin Toffler pontuou que “o analfabeto do século XXI é aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.” Por conseguinte, os idosos que não sabem operar computadores ou navegar na internet têm suas possibilidades reduzidas principalmente no que diz respeito ao ensino superior, pois a quase totalidade das universidades fazem uso de plataformas digitais em suas atividades e até a forma de ingresso nelas é feita online. Depreende-se, então, que é indispensável aproximar a terceira idade das principais tecnologias para que ela não seja considerada “analfabeta”, segundo a lógica de Toffler.

Somado a isso, é notório o parco incentivo público dado à população mais velha para que ela ocupe novos espaços. Sob esse viés, constata-se que não existem campanhas que estimulem os idosos a entrar nas universidades, como se a idade fosse um atestado de incapacidade. Com efeito, é necessário quebrar esse estigma de inutilidade cognitiva e abrir os horizontes para que a velhice não seja reduzida à inaptidão social. Infere-se, pois, que o Estado deve atuar nesse quadro, visto que, de acordo com Aristóteles, política é cuidar dos cidadãos e, no que diz respeito aos idosos, esse cuidado inclui a saúde física e mental, com o dever de aproximá-los ao invés de isolá-los da comunidade.

Fica claro, portanto, que a inserção do idoso no ensino superior é importante e deve ser tratada com seriedade. Por essa razão, o Ministério da Cidadania deve criar uma ampla campanha de incentivo à terceira idade. Isso pode ser feito por meio de cursos gratuitos ministrados por profissionais de tecnologia da informação, nos quais sejam ensinados conhecimentos sobre internet e manejo de aparelhos eletrônicos, a fim de aumentar a autonomia da população idosa com as novas tecnologias. Ademais, a mesma campanha deve facilitar o ingresso às universidades, mediante isenção nas inscrições dos vestibulares, com vistas a aumentar o contingente dessa população no ensino superior. Assim, a extensão da vida advinda da transição demográfica será sinônimo não de isolamento social, mas de novas possibilidades.