Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 16/03/2020

Em Atenas, a velhice era honrada, os homens a partir de 60 anos eram liberados de suas obrigações militares, logo após, eram realocados no conselho do regime aristocrata, assim como, por conta da sua experiência e pelo respeito à idade avançada, tornavam-se sucessores na formação da juventude. Na contemporaneidade, tal prática não ocorre mais, diferentemente de Atenas, existe uma grande dificuldade em garantir a inclusão do idoso no ensino superior, devido à ineficiência das políticas públicas em assegurar as diversidades etárias nas faculdades brasileiras, consequentemente, deixando a população sem acesso à cultura de diferentes gerações. Além disso, por conta da baixa educação de parte da população, há um grande preconceito com os idosos, o que faz agravar ainda mais a situação.

Em primeiro lugar, um entrave é a ineficiência das políticas públicas em assegurar as diversidades etárias nas faculdades brasileiras, visto que, quando a população com idade avançada deseja entrar no ensino superior, o resultado é uma forte concorrência de jovens com oportunidades diferentes. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), em 2018 apenas 6% dos alunos das universidades federais tinham idade superior a quarenta anos. Dessa forma, torna-se evidente que há um problema com a educação superior no Brasil, assim como deixa claro a necessidade de novos programas sociais para combater essa questão.

Em segundo lugar, devido à baixa educação, outro desafio enfrentado pelas pessoas com idade avançada é o preconceito, que afeta diretamente na desmotivação para essa minoria continuar na sala de aula. Além do mais, diferentemente de Atenas, no Brasil existe uma mentalidade retrógrada de parte da população, que age como se os idosos fossem um grande fardo para a sociedade. De acordo com o pensamento do filósofo e sociólogo Habermas, “incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro”. Desse modo, verifica-se que, enquanto o Estado não garantir a educação e a valorização do idoso, tal minoria continuará sofrendo com a inclusão no ensino superior.

Tem-se a necessidade, portanto, de que medidas cabíveis sejam postas em prática, com o intuito de garantir a inclusão de todos os grupos sociais no ensino superior. Logo, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com as faculdades públicas, crie novas políticas públicas, assim como novos programas sociais - cotas específicas para determinada faixa etária, bem como incentivos por meio de bolsas de pesquisa - para assegurar o acesso à educação para toda população idosa. Ademais, o Governo Federal, em parceria com educadores, deve promover campanhas midiáticas em praças públicas, televisão e internet, para abranger toda população sobre a educação e a valorização dos idosos em uma sociedade, por consequência, criando uma nação consciente e próspera.