Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 18/03/2020
O poema, “Retrato”, de Cecília Meireles diz: “Eu não tinha esse rosto de hoje,/Assim calmo, assim triste, assim magro.” e “Em que espelho ficou perdida/ A minha face?”. No excerto o eu lírico se encontra diante de um espelho e se desconhece perante o que o tempo lhe transformou, o que mostra alguns entraves que o envelhecimento traz, não só em fatores estéticos mas também na conjectura psicológica individual, algo relevante na inclusão de idosos no ensino superior. Ora, uma atmosfera agravada pelo desdém social e pela atuação inadequada das redes de ensino.
Essa problemática se deduz, em primeira análise, pelo escárnio e menosprezo praticados pela sociedade. De acordo com Augusto Cury: “A aceitação passiva das ideias é pior que a crítica tola dirigida a elas”. Sob essa linha de raciocínio, quando idosos são reprimidos e levados a pensar que são incapazes, eles simplesmente aceitam e tomam isso como verdade, o que traz consigo dificuldades, sobretudo, no convívio nas unidades educacionais com jovens opressores. De fato, se o corpo social viola a liberdade dos idosos quanto a sua capacidade individual, resta um cenário de alienação coletiva.
Ademais, os recursos e métodos inadequados utilizados por universidades no ingresso ou no tratamento com esse público fomenta o caos. Conforme o escritor português José Saramago: “O conhecimento une cada um consigo mesmo e todos com todos”. Nessa ótica, as universidades devem prezar pelo bom convívio entre a instituição e todos os universitários, substancialmente, no acesso ao conhecimento uma vez que agruras como dificuldade de permutação entre salas e dificuldade de leitura problematizam a permanência de idosos nesses órgãos. Assim, se instituições de ensino superior não têm capacidade nem interesse em tratar tal público, não há saída para a banalização.
A fim de minorar esse quadro, soa oportuno a atuação de dois vetores. Cabe ao Poder Público amenizar os impactos do julgo social por meio de projetos que visam a interação entre universitários e idosos no período de formação superior com o fito de mitigar a repressão para com esses; Outrossim, as faculdades devem investir em acessibilidade por intermédio da melhoria na infraestrutura e nos materiais utilizados nos cursos atendo-se que pessoas mais velhas apresentam maior dificuldade para enxergar, com o intuito de cultivar a boa vivência deles enquanto estudantes_Medidas fundamentais para permutar a realidade apresentada por Meireles, uma vez que: “Investir em conhecimento gera sempre os melhores juros”-Benjamin Franklin.