Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 31/03/2020
Ao longo dos anos, a pirâmide etária brasileira vem sofrendo alterações em seu formato. Essas mudanças indicam um perfil demográfico diferente em relação a alguns anos atrás, já que nos últimos anos o número de idosos, pessoas com 60 anos ou mais, cresce cada vez mais. Nesse sentido, a parcela da população mais longeva necessita cada vez mais de políticas públicas engajadas no seu bem-estar social. No entanto, surgem alguns obstáculos para a terceira idade brasileira, como os desafios para sua inclusão no ensino superior. Tal fato ocorre pela estigmatização social dessa camada mais velha, como também pela ineficácia das políticas vigentes em incorporá-los no ensino superior.
Em um primeiro plano, é possível perceber que um dos desafios para a inclusão dos idosos no ensino superior é a estigmatização social pela qual os idosos sofrem, pois, embora o número de idoso tenha crescido com o passar dos anos, eles ainda representam um pequena parte nas vagas das universidades, prova disso são as estatísticas do Censo de Educação Superior de 2018, realizado pelo INEP, que mostra que cerca de 1% das matrículas realizadas nas faculdades públicas e privadas do país são idosos. Nesse sentido, cabe entender que a estigmatização social dos idosos, como pessoas “ultrapassadas” e “velhas” exerce nessas pessoas um retraimento social, inibindo-os no ingresso de universidades.
Ademais, é necessário entender que as políticas públicas vigentes são ineficazes à inserção dos idosos no corpo discente universitário. Dessa maneira, ainda que o Estatuto do Idoso garanta, o acesso ao lazer, sobretudo, à educação, é possível perceber que como citado anteriormente, existem poucos idosos nas faculdades. Tal fato ocorre, pois há pouco ação por parte do governo em apoiar e incentivar formas de inserir os idosos no ensino superior, por exemplo, há poucas bolsas de graduação específicas para os mais longevos, poucos programas de extensão podendo ser presencial ou à distância, ausência de publicação de livros e periódicos de conteúdo e padrão editorial adequados a essa faixa etária, todos esses fatores são obstáculos para a inclusão do idoso no ensino superior.
Torna-se evidente, portanto, que urge a necessidade da superação dos desafios para a inclusão do idoso no ensino superior. Para que se supere tais desafios, é necessário que haja uma ação do Governo Federal em conjunto com o MEC (Ministério da Educação) visando a melhoria das políticas públicas vigentes, em que seja incentivado nas faculdades a promoção e ampliação de programas de extensão e graduação específicos para os idosos, e a criação de pré-vestibulares públicos para a camada mais longeva, a fim de possibilitar a inserção desse público nas universidades, e estimulando a a atenuação da estigmatização social, por meio de campanhas de conscientização.