Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 20/03/2020
A reforma da previdência é um dos assuntos que mais divide opiniões atualmente, porém, é evidente que a estrutura populacional está sendo, a cada dia que passa, alterada, não somente aumentando em número de idosos dependentes de aposentadorias, mas também diminuindo em quantidade de jovens e adultos economicamente ativos. Dessa forma, é certo que, em poucos anos faltará recursos para sustentar os mais velhos. Sendo assim, é de extrema importância inseri-los no ensino superior para que possam adentrar o mercado de trabalho em uma profissão que lhes dê qualidade de vida e independência financeira. No entanto, não faltam desafios a serem superados em uma área do ensino altamente excludente para a população de idade mais avançada.
Antes de tudo, deve-se levar em consideração a dificuldade que o idoso possui para entrar em uma universidade. Os vestibulares, cada vez mais difíceis, obrigam os participantes a se dedicarem exaustivamente aos estudos, exigindo assim, um vigor físico e mental que as pessoas dessa faixa etária não possuem mais. Além disso, as faculdades particulares, que utilizam processos seletivos menos concorridos e fatigantes, possuem custo de mensalidade, muitas vezes, maior do que um aposentado pode pagar, uma vez que, além dele contar, geralmente, com uma renda mais baixa, ainda possui despesas elevadas, como, por exemplo, com sua saúde.
Ademais, ainda que as pessoas mais velhas consigam vencer este primeiro desafio, continuam encontrando novos inconvenientes quando já se encontram cursando o ensino superior. Isso porque, as instituições educacionais atuais, investem no ensino se utilizando de novas tecnologias, como internet, computadores, aplicativos, dentre outros. É evidente a dificuldade que os mais velhos possuem ao lidar com nossas modernidades. Além de não estarem adaptados a esses novos formatos de aprendizado, como aulas online e leitura digital, também não possuem o conhecimento necessário em informática para usufruir das ferramentas oferecidas pelas instituições.
Portanto, é indubitável que, o processo seletivo de faculdades, as altas mensalidades de cursos superiores, além da ferramenta tecnológica nas instituições de ensino, são fatores que impedem e afastam os idosos da graduação e, consequentemente, do mercado de trabalho. Sendo assim, o governo federal, junto ao Ministério da educação, deve conceder incentivos fiscais para que, instituições de ensino privadas, concedam bolsas de estudo especiais para a terceira idade. Além disso, o poder legislativo deve criar tanto leis de políticas de cotas em vestibulares, para pessoas acima de 60 anos de idade, como também leis que exijam, dentro das universidades, disciplinas complementares que introduzam o universo digital a todos que ainda não possuem esse conhecimento específico.