Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 24/03/2020
Segundo Sir Arthur Lewis, renomado economista britânico, educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido. Contudo, o Brasil não parece estar dando a devida atenção a esse fato quando o assunto é profissionalização de idosos, haja vista que os investimentos na educação da população senil ainda são insuficientes.
Nesse sentido, de acordo com estatísticas do IBGE, o número de idosos deve superar o de crianças e jovens de até 29 anos nas próximas quatro décadas. Além disso, o instituto prevê que a proporção de idosos dentre a população economicamente ativa triplique nos próximos 50 anos. Em suma, os idosos se tornarão mais numerosos e ativos, de modo que o governo brasileiro precisa saber investir na profissionalização dessa classe em ascensão, o que não está ocorrendo com a eficiência que deveria. A despeito disso, é válido ressaltar que, apesar de o país contar com leis que preveem o acesso gratuito de idosos a cursos superiores, na prática, são poucos os que conhecem os benefícios concedidos pelo Estado ou que se sentem motivados a buscar uma formação. Em primeiro ponto, o país não tem divulgado adequadamente o direito dos idosos de terem acesso gratuito à educação, o que se confirma no fato de não haver nenhuma grande campanha pública sendo veiculada com esse objetivo. Em segunda instância, os idosos não vêem a especialização como uma oportunidade, pois, mesmo que conquistem um diploma, poucas empresas estarão interessadas em contratar mão de obra senil por receio de não ser tão vantajosa quanto a mais jovem. Portanto, faz-se imprescindível que o governo crie campanhas voltadas à educação dos idosos e que incentive as empresas a contratá-los. Nesse intuito, a fim de fazer os idosos se interessarem pela especialização, o Estado deve criar uma campanha de nível nacional, em parceria com canais midiáticos populares, com o objetivo de mostrar aos senis que, independente da idade, a educação é um caminho a se seguir, além de esclarecer-lhes o que fazer para conseguir uma bolsa em uma universidade, com a divulgação de um número oficial de telefone para que liguem e tirem suas dúvidas, o que deve facilitar o acesso desse grupo ainda não inteiramente inserido nas facilidades do mundo cibernético. Ainda, para que eles não esbarrem nas dificuldades do mercado de trabalho depois de terem se formado, o governo deve incentivar as empresas a contratá-los, por intermédio da redução da cobrança de impostos àquelas que assim o fizerem e de cartilhas que evidenciem as inúmeras vantagens de se contratar pessoas de idade avançada. Com essas medidas, o Brasil estará concentrando esforços no único investimento realmente seguro a longo prazo: a educação.