Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 26/03/2020

No livro  “A velhice” da antropóloga Simone Beauvoir é retratado a constante exclusão dos idosos na sociedade, que segundo ela, o longevo é considerado como nada mais que um incômodo em quaisquer área do corpo social. Desse modo, no que tange ao campo educacional hodierno existe um grande descaso governamental e social relacionado ao ingresso de idosos no ensino superior, tendo em vista essa visão relatada por Simone.

A priori, é imperioso destacar que com os avanços tecnológicos da saúde, possibilitou-se uma maior e expectativa de vida para os cidadãos, e consequentemente o aumento da população idosa .Em contrapartida, não existem políticas públicas para a adesão desses indivíduos na universidade, visto que não são considerados capazes de produzir  projetos para a comunidade da educação, e a maioria dos idosos não participam da População Economicamente Ativa (PEA), isto é, não contribuem para a economia do país. Sendo assim, essa conjuntura pode ser analisada como um caso de utilitarismo, conceito proposto pelos filósofos Bentham e Stuart Mill para designar o sentido de atribuir valor somente ao que lhes é conveniente e beneficiário, no caso a economia.

Ademais, de acordo com a antropóloga Ruth Benedict o julgamento para com o diferente leva à exclusão social do grupo julgado e para que isso não ocorra, não deve-se presumir questões sobre um grupo de indivíduos com análises elaboradas somente sobre o ponto de vista de quem avalia. Nesse contexto,  assim como o raciocínio de Simone Beauvoir, os indivíduos que tem preconceito com os idosos e sua entrada na faculdade só colocam em vigor uma análise supérflua baseada na própria opinião. Em consequência disso, ocorre a exclusão social do longevo no campo universitário e também sua desvalorização como cidadão.

Em síntese, ações governamentais e sociais implicam na entrada de idosos no ensino superior. Assim para que haja a dissolução dessa conjuntura, é fulcral que o Ministério da Educação (MEC) em parceria com Organizações não governamentais (ONG’s), promova um projeto de ingresso universitário do idoso .Isso por meio da implementação de políticas que visam o ingresso efetivo dos idosos através de vagas reservadas distribuídas em inúmeras universidades. Além disso, deve-se propiciar palestras sobre a importância sociocultural do longevo na faculdade destinada para todo tipo de público, tais palestras devem ser elaborada de maneira didática e abordar conceitos como o de Simone e Ruth. Com tais medidas, espera-se que os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior sejam minimizados.