Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 24/03/2020
Segundo levantamento feito pelo IBGE, em 2019, a população idosa cresce 26% a cada 6 anos, devido, sobremodo, ao avanço científico da saúde, bem como o empenho dos gerontólogos em desmitificar tabus acerca do envelhecimento. Contudo, apesar de tais avanços, os desafios para inclusão dos idosos no ensino superior persiste no Brasil. Por conseguinte, a continuidade da problemática gera prejuízos ao coletivo e, decerto, demanda intervenções. Ademais, para efetiva análise, tem-se a dificuldade em aproximar diferentes gerações e os esteriótipos relacionados à velhice.
Em primeiro plano, nota-se a inabilidade em reunir os idosos ao público juvenil. Desse modo, conforme o pensamento do sociólogo Jacques Dellors, o ensino da convivência é imprescindível para possibilitar a construção de um conhecimento solidário e participativo nas universidades, a fim de ampliar a inserção dos idosos no ensino superior. Isso posto, pode-se relacionar à conjuntura, a hegemonia da representação juvenil nas instituições de ensino, porquanto reflete uma sociedade excludente a qual dificulta a aceitação do idoso nas universidades. Diante disso, elucida-se a necessidade em reavaliar os empecilhos em conglomerar distintas gerações no ensino superior.
Outrossim, é válido ressaltar os preconceitos associados ao envelhecimento. Dessa feita, o relatório feito pelo Departamento de psicologia da Universidade Federal de Sergipe, afirma que as crenças sobre os idosos particularizam a velhice com características negativas, relacionadas às perdas e ao declínio mental, ocasionando o ingresso tardio do idoso às universidades. Com efeito, somado à isso, tem-se a ausência do Poder público em fomentar políticas educacionais específicas para terceira idade- como docentes habilitados para lidar com os idosos nas salas de aula-, com o objetivo de instruir em suas necessidades especiais e integrá-los ao ambiente de ensino. Logo, torna-se indubitável efetivar a universalidade do direito à educação superior no Brasil.
Dessarte, reafirmam-se os prejuízos sociais desenvolvidos pelos desafios para inclusão dos idosos nas Universidades. Portanto, as Secretarias Municipais devem realizar projetos pedagógicos em faculdades, mediante semanas de extensão, nas quais gerontólogos discorram acerca do conhecimento participativo de Jacques Delors, a fim de aproximar diferentes gerações. Além disso, cabe ao Ministério da Educação investir na capacitação dos docentes ao lidar com o público idoso, por meio de cursos educacionais específicos, os quais desmitifiquem estigmas sobre o envelhecimento, com o intuito de romper preconceitos referentes à velhice. Somente assim, obter-se-á uma sociedades mais harmoniosa, com a inserção dos idosos no ensino superior.