Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 25/03/2020

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante acessibilidade a todos os cidadãos. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase no contexto educacional. Isso se evidencia na falta de inclusão digital com os idosos que s ingressam na graduação, como também na incompreensão dos mais jovens em lidar com as diferenças.

Em primeira instância, é importante ressaltar que o número de idosos no ensino superior tem crescido de forma exponencial, e a dependência digital os incomoda. De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 2017, aproximadamente 8 mil pessoas com idade avançada estavam cursando uma graduação. Nesse viés, é notório que a inserção no meio educacional independe da idade. Entretanto, a utilização de aparatos tecnológicos é primordial, e os idosos tem dificuldades em se adaptar, tendo em vista que se tornam dependentes de ajuda e muitas vezes a falta de paciência dos jovens os repelem. Logo, é necessário ensiná-los a navegar nesse meio virtual e fazer com que sintam independentes.

Ademais, convém relacionar ainda os obstáculos encontrados pelos mais experientes em lidar com colegas jovens e muitos deles incompreensíveis. Consoante Eli Pariser, os indivíduos têm dificuldades em conviver com as divergências e vivem em suas bolhas. A esse respeito, torna-se evidente que a individualidade é algo comum atualmente, e o compartilhamento de experiências e aprendizados são cada vez mais raros. Consequentemente, as relações são superficiais e sem afetividade, e os mais velhos em idade não se enquadram nesse contexto de convivência, tendo em vista que são dinâmicos e querem compartilhar histórias e aprender o que é novo.

Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses no ensino superior. Cabe ao Ministério da Educação em consonância com as Universidades fornecerem para os idosos disciplinas obrigatórias que visam ensinar a utilizar as ferramentas virtuais, com o objetivo de fazê-los sentir independente digitalmente. Em soma, o MEC ainda deve conceder palestras e debates ministrados pela terceira idade, desde a base escolar, a fim de que os discentes aprendam cedo como conviver com as diferenças e a importância de transmitir experiência nas relações entre gerações. Assim, a geração futura não terá os mesmos erros que a atual.