Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 29/03/2020
Para Paulo Freire, educador brasileiro, a inclusão acontece quando se aprende com as diferenças. Entretanto, a máxima do autor não é vista no contexto universitário, uma vez que a população idosa não está inclusa. Esse cenário antagônico existe por empecilhos causados não só pelo déficit na educação primária da terceira idade, como também pela falta de incentivo para que esse público entre em uma graduação.
É importante ressaltar, em primeiro momento, a deficitária escolaridade gerontológica básica. De acordo com o IBGE, a maioria dos analfabetos brasileiros são idosos. Tal estatística evidencia que o acesso deles ao ensino superior é sabotado por um infortuno problema: a falta da incorporação do letramento na primeira infância. Assim, é inconcebível a existência dessa problemática em um país que garante a educação por meio de sua Constituição.
Além disso, não há a difusão de incentivos para a graduação da terceira idade. Em seu livro “A velhice”, Simone de Beauvoir desenvolveu conceito de “invisibilidade social”, termo que diz respeito à indiferença que os idosos vivenciam na sociedade. Assim, enquanto a propaganda para os jovens acessarem a universidade é massiva, para os idosos é escassa. Logo, a inserção da população mais velha na faculdade é reprimida pela ocultação social.
Portanto, medidas factíveis são necessárias para a resolução dos impasses. Para isso, o MEC deve acentuar a divulgação do Programa Brasil Alfabetizado, por meio das mídias -internet, rádio, televisão- ressaltando a importância da alfabetização, a fim de suprir a carência de literacia dos idosos. Ademais, o MEC precisa difundir o projeto Universidade Aberta para os Idosos, por meio de parcerias com instituições de ensino, para estimular a terceira idade e familiariza-lá com o ambiente acadêmico. Assim, vamos aprender com a diferença e nos beneficiar com a inclusão.