Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 01/04/2020
É notável que em filmes e séries com o tema vida universitária, são retratadas, majoritariamente, as dificuldades enfrentadas por jovens adultos ou adolescentes e quase sempre os idosos não são incluídos no corpo estudantil. Fora do universo cinematográfico, infelizmente, a terceira idade também encara desafios para a inclusão no ensino superior. A fim de modificar esse quadro, questões sociais e estruturais devem ser analisadas.
Em primeiro plano, é importante salientar que existe um preconceito social em relação ao acesso dos idosos à educação. Sob essa ótica, cabe trazer o pensamento da socióloga Simone Beauvoir, que em seu livro “A Velhice”, evidencia que a sociedade moderna promove a invisibilidade dos idosos. Nesse caso, no âmbito acadêmico, essa premissa é acertiva, haja vista que as salas de aula e os materiais, não são adaptados para lidar com as limitações desse grupo, tais como a baixa visão e as restrições locomotivas. Sendo assim, mudanças na acessibilidade e no corpo estrutural das faculdades devem ocorrer para que o direito constitucional que assegura a educação para todos seja respeitado.
Outrossim, a terceira idade não é incentivada a estudar. Isso acontece porque, mesmo que exista a lei 13.535/2017 que garante a oferta de cursos e programas para esse público em universidades, ainda persiste um pensamento que nessa fase da vida os indivíduos são incapazes de aprender e não necessitam ser estimulados mentalmente. Essa perspectiva se relaciona com a Teoria dos Ídolos do filósofo Francis Bacon, na qual falsas percepções humanas deturpam a realidade. Desse modo, é importante que seja explicitado para a sociedade que apesar das limitações que a velhice impõe, os idosos são capazes de estudar e aprender, desde que o ambiente e a forma de ensino seja inclusiva, assim como ocorre com as crianças.
Fica evidente, portanto, que questões sociais e na organização do ensino superior são fatores que dificultam a inclusão de idosos no ensino superior. Para reverter isso, o MEC, como principal órgão responsável pela educação no país, deve adaptar materiais e sala de aula para esse grupo, por meio , por exemplo, de conteúdos didáticos com fontes maiores, com o fito de promover a inserção desse grupo. O mesmo ministério supracitado em parceria com mídias televisivas, por intermédio de propagandas, deve estimular que os idosos se inscrevam para cursos superiores, para romper com a idéia equivocada de que esses são incapazes. Assim, gradualmente, os idosos poderão ser associados a universidades dentro e fora das ficções.