Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/04/2020

O direito de aprender a qualquer idade

“Conheço bem os meus limites, mas não os aceito”. Para o filósofo italiano Norberto Bobbio, a velhice lhe mostrou as suas limitações, mas não significa que decidiu aceitá-las, porque sempre continuou a buscar conhecimento através da sua paixão pela leitura. As palavras e atitudes de Bobbio são um reflexo da população brasileira que atingiu a terceira idade, mas que não pretende se manter intelectualmente estagnada.

Segundo as pesquisas do IBGE, a porcentagem de idosos chegará a 26,7% da população brasileira, um número tendencioso que toma proporções mundiais, pois a taxa de envelhecimento vem crescendo mais do que a taxa de nascimento. Mutualmente, ao perceberem que ainda possuem saúde e disposição para aprender e sonhos a conquistar, a demanda de idosos em busca de ensino superior cresce, mas não há o preparo e o incentivo suficientes de universidades que consigam atendê-los, já que, até 2010, nem 10% da população brasileira possuía 65 anos ou mais. Por este motivo, a fim de melhorar as condições desta mazela da sociedade, em 2017, foi aprovada pelo Poder Legislativo uma lei que garante que as universidades devam oferecer cursos e programas de extensão para idosos, além da publicação de livros que caucionam as suas necessidades visuais.

Entretanto, ainda há o despreparo de professores que possam lidar com a maneira de lecionar idosos, a infraestrutura de materiais escolares inadequados para pessoas que naturalmente perdem a visão e alunos que podem excluí-los dentro da universidade por não atenderem aos padrões das salas de aula. Por este motivo, apesar da vontade de aprender e estudar, torna-se evidente o desconforto que esta população sentiria ao se deparar com um ambiente tão inapropriado.

Infere-se, portanto, que apesar da aprovação de leis, as universidades devem cumprir suas garantias para tornar o ambiente o mais propício possível para comportar o carecimento desta população. Esta inclusão torna-se viável através da criação de bolsas de estudos especiais, da inserção de professores capazes de lidar com idosos, da publicação e utilização de materiais específicos e da conscientização de alunos dentro da própria universidade por meio de palestras e programas colaborativos, como trabalhos em grupos e aulas interativas entre todos os alunos. Poder-se-á, assim, viabilizar a integração de idosos no ensino superior brasileiro.