Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 20/04/2020
O Idoso na Faculdade
É quase que consenso que os idosos no Brasil de hoje são segregados nas áreas profissional e acadêmica. Infelizmente, devido visões errôneas que a sociedade impõe sobre essas pessoas, tanto as empresas — sejam elas públicas ou privadas — como universidades e outras instituições de ensino têm uma política interna de evitar essas pessoas (para não dizer segregar). Por tanto, é necessário uma mudança de cultura no brasileiro e incentivo público para incluir os idosos no meio acadêmico, pois eles podem ser tão capacitados quanto qualquer outro indivíduo.
Em 22 de julho de 2019, o jornal virtual Rede Minas publicou em seu canal da plataforma YouTube uma matéria que mostra uma exceção à aparente regra de negação de estudo acadêmico a idosos: duas universidades privadas, a UNA e a PUCMG, criaram programas de incentivo para trazerem cursos para os idosos, tanto graduações normais como cursos mais simples. Mediante entrevista com pessoas que estavam com seus estudos em progresso ou que já haviam concluído algum dos cursos, foi constatado que essas pessoas possuíam grande interesse em aprender, principalmente por satisfação pessoal. Incrivelmente as pessoas de mais idade têm mais vontade de estudar pelo motivo certo (o aprendizado em si, e não tendo como fim a área profissional) do que a maioria das outras faixas etárias. As universidades em geral, paradoxalmente, tendem a evitar justamente aqueles que mais honrariam o propósito original dessas instituições tão honradas: as pessoas de terceira idade.
Além disso, diferente de países mais desenvolvidos como o Japão, o brasileiro tem o péssimo costume de ver o idoso como uma pessoa intelectualmente incapaz, contradizendo o fato de que os mesmos tiveram mais experiências de vida. Qualquer um é capaz de perceber a qualidade superior de um trabalho feito por um pedreiro mais velho em comparação com a de um mais novo. De acordo com o IBGE, a taxa de idosos no Brasil em 2060 será de aproximadamente 26,7% da população. Ou seja: se as coisas continuarem assim, em breve impediremos que quase um terço da população capaz do país possa se especializar, e pior: por motivos completamente irracionais.
O brasileiro médio precisa aumentar muito sua cultura nesse sentido. Precisamos, como nação, incluir e aceitar mais nossos idosos, pois eles nos precederam e têm muito a agregar, tanto para a academia quanto para a indústria. Só resolveremos esse problema de incluir o idoso no ensino superior quando, através de campanhas públicas e projetos de instituições de ensino, os mesmos receberem seu devido valor.