Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 12/04/2020

Consoante à Constituição Federal Brasileira promulgada em 1988, todos os cidadãos brasileiros possuem o direito de acesso à educação, de maneira reverente e inclusiva. Entretanto, se analisada a problemática da inclusão de idosos no ensino superior, percebe-se certas negligências a tal prerrogativa, acarretadas principalmente pela falta de consideração social na elaboração dos cursos, e pelo preconceito que este grupo está sujeito ao ingressar nas universidades.

Primordialmente, é válido constatar que apenas em 2017 foi aprovado pelo Senado Federal uma lei (13.535/2017) que define a obrigatoriedade das instituições superiores na criação de cursos e programas de extensão voltados aos idosos. O fato de ter sido necessário coerção legislativa para que tal cenário se torne real, demonstra não apenas que a educação atual do Brasil não se mostra preocupada com a inclusão de todos, mas também, que não está preparada para os idosos que a almejam. Tal cenário se mostra preocupante, visto que segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresce cada vez mais o número de cidadãos mais velhos na sociedade, podendo chegar em 26,7% até 2060, e se o ensino superior não se adaptar rapidamente a este cenário, gradativamente mais idosos irão ficar sem acesso à uma educação reverente e inclusiva, como garantido constitucionalmente.

Ademais, em muitos casos, existe o preconceito social destinado a idosos que decidem por atender aos cursos superiores, resultando na desistência das aulas ou no medo de ingresso por parte destes. Tal preconceito pode se apresentar de muitas formas, seja na exclusão destes indivíduos das aulas por parte de alunos ou até mesmo dos professores, ou também na pressão social, que acredita que idosos nas universidades servem apenas para o desperdício de recursos e oportunidades educacionais, visto que estes estão no final de suas vidas. Todas estas formas de preconceito se mostram extremamente prejudiciais, visto que resultam nas consequências já citadas, e são totalmente desprovidas de sentido, já que vão contra os direitos individuais garantidos constitucionalmente, causando, por conseguinte, a exclusão social de um determinado grupo.

Diante de tal cenário, mostra-se necessário atitudes que possam diminuir a problemática da inclusão de idosos no ensino superior. Uma delas pode ser tomada pelo Ministério da Educação, garantindo o repasse de verbas para a criação de ambientes universitários mais inclusivos para idosos, seja por meio de recursos educativos especiais, como tutores especializados para auxiliá-los, garantindo mais facilidade nos estudos, ou na criação de programas sociais feitos pelas próprias universidades, que promovam a socialização dos mais velhos com os mais novos, para evitar que não se sintam isolados.