Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 18/04/2020

Alguns jornais brasileiros, no dia 17/04/20, publicaram a seguinte manchete: “Nelson Teich diz que não desperdiçaria recursos com idosos”. Apesar de esse fragmento ter sido retirado do contexto, demonstra o quanto é sensível a temática, especialmente porque na atualidade as pessoas estão mais longevas e sem planejamento para essa a sobrevida. Ao encontro dessa perspectiva, surgem cursos universitários adequados à terceira idade como alternativa para ocupar o tempo desses indivíduos de forma produtiva, cognitiva e associativa. Sendo assim, como inclui-los?

Em primeiro lugar, há o desafio de despertá-los para a importância da atividade intelectual e social, na busca por uma vida saudável e feliz nessa nova fase. Com esse propósito, pode-se estimulá-los a ingressarem no ensino superior, e assim oportunizar a interação deles com o mundo acadêmico para que possam fruir melhor a vida. Relacionada a essa sensação, Nietzche afirma: “sem prazer não há vida; a luta pelo prazer é a luta pela vida”. Esse pensamento é muito pertinente para o momento atual, quando se vê idosos depressivos, isolados e muitos deles sem gana de viver. Esse fenômeno cruel tem que ser enfrentado por toda a sociedade.

Em segundo lugar, vale ressaltar que a quantidade de idosos e sua representatividade no Brasil cresce progressivamente. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –, eles já são 21,8 milhões (10,5% da população) e cresceu 26% nos últimos seis anos. À vista disso, impõe-se que se adote ações positivas para tornar agradável a vida dessa população que está à deriva sem encontrar sentido na sobrevivência estendida, cuja tendência é continuar a crescer.

Infere-se, portanto, que é preciso ter atenção diferenciada com os idosos. Logo, além do estímulo ao estudo, faz-se necessário ofertar-lhes as condições de acesso à universidade. Para isso, cabe ao Ministro da Educação, junto com as reitorias de cada instituição, abrir vagas por cotas para idosos nos cursos regulares, bem como ampliar os de extensão e pós-graduação destinados ao grupo. Desse modo, terão que deliberar a abertura de vagas por meio dos conselhos acadêmicos e incluir a despesa no orçamento anual com projeção na LDO – Lei de Diretrizes Orçamentária –. Esses conselhos farão chamada nos rádios e televisão para convidar e estimular a participação dessa clientela. Como isso, espera-se inclui-los e proporcionar o convívio universitário entre gerações, dessa forma, haverá a promoção da uma vida digna e melhor nessa etapa derradeira da existência.