Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 18/04/2020

A música “Ouro de Tolo” de Raul Seixas revela a história de uma personagem que apesar de suas conquistas durante a vida, não se contenta em envelhecer esperando a morte chegar. De forma análoga, a população de idosos no Brasil - que cresce exponencialmente a cada ano - demonstra uma necessidade de realização pessoal que muitas vezes se dá além das vitórias que obteve na vida, mas através do ingresso no ensino superior. Contudo, as novas alterações do sistema previdenciário e a baixa distribuição de centros de graduação destacam-se para a dificuldade de inclusão da população idosa no ensino superior.

Em primeiro plano, é imprescindível analisar a promulgação da Nova Previdência em 2019 como um obstáculo para a resolução da problemática. As novas regras da previdência social preveem que o trabalhador não pode mais se aposentar por tempo de contribuição, sendo preciso que concomitantemente possua idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Dessa forma, o trabalhador que aos 60 anos já cumpriu seu tempo de atividade não pode se aposentar, permanecendo então mais 5 anos - tempo médio de conclusão de cursos de graduação - em um serviço que já foi concluído. Logo, essas alterações prejudicam diretamente o indivíduo que anseia o ingresso na universidade.

Paralelamente a isso, vale ressaltar a baixa abrangência espacial de centros universitários em zonas periféricas e rurais. Segundo dados do MEC, há somente 275 cidades com presença de centros e campus universitários, sendo em sua maioria localizados na Região Sudeste, em contrapartida ao total de 5561 municípios em todo o Brasil, tal situação contribui para o fenômeno de “cidade partida” descrita pelo jornalista Zuenir Ventura. Dessa forma, os indivíduos que encontram-se distantes dos grandes centros, ainda que se aposentem antes da idade prevista na Nova Previdência, veem a baixa concentração de centros de graduação como um entrave para a entrada no ensino superior.

Registra-se, portanto, os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior. Diante disso, o Senado Federal deve flexibilizar a aposentadoria da população idosa que já cumpriu o tempo de serviço, por meio de um projeto de lei que atenda àqueles que desejam ingressar no ensino superior. Conjuntamente a isso, o Ministério da Educação deve estimular as universidades privadas, através de isenções fiscais, em criar campus universitários no interior dos estados a fim de beneficiar a população idosa que deseja ingressar no ensino superior e continuar morando em sua cidade natal. Dessa maneira, a população idosa poderá alcançar plenamente o despertar da consciência do Ouro de Tolo.