Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 26/04/2020
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira está em trajetória de envelhecimento e o percentual de pessoas com mais de 65 anos passará dos atuais 9,2% para 25% até 2060. Diante desse cenário, a demanda de idosos no ensino superior deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas. Tal perspectiva se baseia no crescimento da quantidade de pessoas acima de 65 anos ainda ativas no mercado de trabalho. Em decorrência da nova demanda de estudantes, a estrutura universitária do Brasil já enfrenta desafios e precisa se adaptar a nova situação etária do país.
Primeiramente, espera-se que o percentual de idosos economicamente ativos aumente nos próximos anos. Isso ocorre devido ao fato de que não haverá adultos não idosos suficientes para ocupar toda a conjuntura das vagas do mercado de trabalho. Logo, a demanda desses idosos será essencial para o funcionamento da máquina econômica, o que traz a necessidade cada vez maior de qualificação da mão de obra, inclusive em idade avançada.
Em segundo lugar, o aumento do ingresso de idosos nas universidades Brasileiras exige a adaptação do modelo de ensino atual para as condições de aprendizagem desse grupo. Nesse sentido, o fato de a capacidade de assimilação e compreensão do conteúdo de estudo diminuírem gradativamente por causa do envelhecimento, juntamente com a dificuldade- geralmente queixada por muitos idosos- em lidar com as novas tecnologias, são exemplos de desafios a serem enfrentados pelas instituições de ensino e estudantes da terceira idade. Ainda vale ressaltar que o preconceito por parte de alunos mais jovens pode ser um expoente para essas barreiras e dificultar até mesmo a socialização dentro do ambiente de estudos.
Portanto, com o intuito de promover um modelo de ensino adequado aos idosos, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) deve criar um programa de capacitação de professores universitários por meio de cursos que habilitem esses profissionais em assuntos como: psicologia do ensino e da aprendizagem em idade avançada, o convívio social na terceira idade e a dinâmica de interação entre grupos de diferentes faixas etárias. O conteúdo dos cursos deve ser aplicado com foco na necessidade de se criar um modelo de universidade baseado na inclusão e no desenvolvimento acadêmico dos alunos mais velhos de forma a dar atenção, também ,ao progresso no conteúdo das disciplinas da formação universitária. Por fim, que prevaleça a consciência de que a idade avançada não é uma característica que vai contra a capacidade do indivíduo mas, que indica maior experiência e conhecimento que podem ser uma grande vantagem no processo de formação profissional.