Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 22/04/2020

Na Grécia Antiga, os cidadãos com mais de 60 anos eram os anciãos da sociedade. Eles eram grandemente respeitados por sua sabedoria e experiencia de vida, sobretudo, quando se reuniam na Ágora para opinar e votar. No Brasil o idoso tem seus direitos assegurados pela Constituição Federal e na Lei do Idoso. No entanto, a inclusão do idoso no ensino superior é um desafio não só pela ausência de políticas públicas, mas também pelo preconceito que este grupo sofre.

Em primeira análise, é importante destacar a ausência de programas de inclusão no ensino superior, tanto em instituições públicas como privadas, voltados para os idosos. Embora, a educação seja um direito de todos com previsão no artigo 6º da Constituição Federal, na prática não funciona plenamente para o grupo da “melhor idade”, pois eles são destituídos de oportunidade de ingresso na educação superior, exceto pela forma tradicional. Esse imbróglio é retratado pelo Jornalista Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadania de Papel”, a qual diz que muitos brasileiros têm direitos apenas no papel. Logo, é inadmissível que tal problema continue sendo aceito.

Ademais, é fulcral destacar o pensamento do renomado físico Albert Einstein, o qual diz que é mais fácil desintegrar a estrutura de um átomo que um preconceito. Nesse sentido, é inegável a existência de uma cultura de preconceito aos idosos no Brasil. De modo que muitos senhores e senhoras da terceira idade são levados a acreditar que os espaços acadêmicos – de ciência, tecnologias e artes- são destinados apenas aos mais jovens ou às pessoas mais intelectuais. Assim, torna-se imperioso desconstruir e desmistificar tais pensamentos, a fim de os idosos tenham sentimento de pertencimento dentro da sociedade.

Diante do exposto, é notório que a inclusão do idoso ao ensino superior é um desafio a ser superado. Nessa ótica, o Congresso Nacional deve votar a criação de cotas para idosos acima de 60 anos nas vagas das universidades públicas, de modo que estes possam ter acesso tanto por vestibulares tradicionais quanto pelo Sistema de Seleção Unificada. E, assim, garantir a possibilidade deles cursarem a faculdade. Além disso, a escola e a família devem ensinar as crianças e jovens a importância do respeito aos idosos, para que estes sintam-se valorizados e importantes como seres humanos. Desse modo, o Brasil garantirá o sonho de estudar aos mais idosos e, também, o respeito e senso de pertencimento semelhantes àqueles vivenciados pelos anciãos da Antiga Grécia.